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15.05.2017


Vírus da febre amarela que circula no Espírito Santo sofreu mutação inédita, diz Fiocruz

Há casos em várias partes do país e só no Estado foram 78 mortes confirmadas e outras 747 notificações da forma silvestre da doença

 

 

 

O vírus do atual surto de febre amarela tem mutação genética inédita. A constatação foi feita por meio do sequenciamento do genoma do vírus. Segundo pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz),  não há registro anterior dessas alterações na literatura científica mundial. No entanto, elas não afetam as proteínas do envelope do vírus, que são centrais para o funcionamento da vacina. Só no Espírito Santo, foram 78 mortes confirmadas e outras 747 notificações da forma silvestre da doença.

 

Sobre um possível impacto das mutações para a vacina disponível no Brasil,  os cientistas explicam que o imunizante adotado atualmente protege contra diferentes genótipos do vírus, incluindo o sul americano e o africano, e que as alterações detectadas no estudo não afetam as proteínas do envelope do vírus, que são centrais para o funcionamento da vacina. As informações são do G1. 

 

Desde o aumento de casos no Brasil, a Fiocruz fez os primeiros sequenciamentos do vírus. Foram utilizadas duas amostras de macacos bugios do Espírito Santo, mortos em fevereiro de 2017.

 

“Os bugios são especialmente importantes nas investigações sobre a febre amarela por serem considerados 'sentinelas': como são muito vulneráveis ao vírus, estão entre os primeiros a morrer quando afetados pela doença. Além disso, estes animais amplificam eficientemente o vírus em seu organismo”, descreve Ricardo Lourenço, que é veterinário e entomologista ao site.

 

Um resultado inicial apontou que esse vírus da febre amarela pertence ao subtipo genético conhecido como linhagem Sul Americana 1E, que atua no Brasil desde 2008. No entanto, com o final da análise completa, os cientistas conseguiram detectar as variações genéticas, que estão associadas a proteínas envolvidas na replicação viral.

 

De acordo com os pesquisadores, os impactos da descoberta para a saúde pública ainda precisam ser investigados e apontam a necessidade de que mais amostras sejam sequenciadas, relativas a outros lugares do Brasil e com coletas em humanos, macacos e mosquitos. Novos resultados deverão ser apresentados nas próximas semanas.

 

Os resultados da pesquisa foram encaminhados pela presidência da Fiocruz ao Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis, do Ministério da Saúde. De acordo com Myrna Bonaldo, uma das pesquisadoras, os resultados também foram encaminhados para a comunidade internacional, incluindo Itália, Estados Unidos e Inglaterra.

 

A insituição informa, adicionalmente, que outros dados ainda não publicados apontam os mesmos resultados para a análise de mosquitos coletados no Espírito Santo e para um macaco morto no Rio de Janeiro.

 

A fundação diz, ainda, que o estudo "partiu de uma constatação que vem ganhando cada vez mais espaço". Segundo eles, "a atual situação de febre amarela tem lacunas de entendimento sobre sua dinâmica de dispersão."

 

Esse é o maior surto de febre amarela das últimas décadas. O último boletim do Ministério da Saúde confirmou 756 casos no país, com 259 mortes devido à infecção. Os casos continuam silvestres, com infecções em regiões de mata e/ou rurais. A doença é transmitida pelos mosquitos Sabethes e Haemagogus.
 

 

Com informações do G1

 

 

 

 

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