Educação

Três quilômetros a pé para estudar

* Leandro Fidelis

(leandro@radiofmz.com.br)

A Secretaria Estadual de Educação- Sedu redimensionou o transporte de alunos da zona rural até a sede da escola. A partir de fevereiro de 2011, o transporte escolar beneficiará somente alunos que residem na zona rural a uma distância igual ou superior a três quilômetros.

Ainda conforme a portaria, para o turno noturno só serão contemplados roteiros que transportem no mínimo cinco alunos. Também serão proibidos o transporte a pessoas que não estejam desenvolvendo atividade escolar e desvios da linha-tronco para atender alunos que residam a uma distância menor que três quilômetros.

Nessa segunda-feira (27) o prefeito de Venda Nova, Dalton Perim, se reuniu com os vereadores para analisar os efeitos dessa portaria da Sedu na vida escolar do município. Ele espera um amplo esclarecimento às escolas por meio da Superintendência Regional de Educação. As matrículas na rede estadual começam a partir de outubro, quando pais e responsáveis deverão estar informados.

Quanto à direção das escolas, caberá cadastrar os alunos beneficiados, com os respectivos roteiros e quilometragens, e encaminhar esses dados à Superintendência. Além disso, as escolas vão supervisionar diariamente a execução dos serviços, fazendo registros e levantamentos pertinentes, elaborando relatórios mensais e, ainda, comunicar qualquer anormalidade.

Veto a alunos do Ifes

Agora o assunto é federal. Os alunos do Instituto Federal do Espírito Santo- Ifes, campus Venda Nova, correm o risco de ficar sem o transporte escolar público. A Secretaria Municipal de Educação só vai manter o serviço até o próximo dia 30, porque a lei só permite o serviço para alunos das redes municipal e estadual de ensino. Muitos alunos do turno da noite já pensam em abandonar o curso técnico por conta disso.

O problema afeta principalmente a turma preparatória (pré-Ifes), com alunos de oitava série, que começou a estudar no último dia 31. A turma é formada, em sua maioria, por moradores da zona rural do município e com renda inferior ou igual a um salário mínimo. O curso se propõe a fortalecer as chances de ingresso dos alunos da rede pública de ensino nos cursos de educação profissional oferecidos pelo campus, mas os alunos não sabem como vão dar continuidade aos estudos com o corte do transporte.

O secretário Municipal de Educação, Edson Zandonadi, afirma que o Tribunal de Contas da União- TCU foi taxativo durante fiscalização em abril deste ano. Entre outros ajustes, foi preciso padronizar a pintura dos veículos para continuar a receber verba federal. “Nós não sabemos o que fazer, a lei é clara e estamos simplesmente arrastando essa decisão para não criar um problema maior”, diz Zandonadi.

Para Edson, a solução seria os donos de empresas de transporte fazerem uma proposta à Prefeitura para ampliar as linhas e os alunos terem ajuda de custo ao preço da passagem.

O subgerente de administração do Ifes Venda Nova, Cristiano Fim, diz que o período de eleições dificulta solucionar o problema. “Não há lei estadual que viabilize transporte público para alunos de escola federal. Já estivemos na Secretaria de Estado da Educação com o subsecretário de Transportes e até no Ministério Público em busca de solução.”

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