O motorista Sérgio Amaral Campos Filho, o "Serginho", 22 anos, que morreu em um acidente ocorrido na última sexta-feira (5) no quilômetro 100,5 da BR-262, em Venda Nova do Imigrante, teria desviado de um carro que invadiu a contramão antes de sair da rodovia e cair em uma ribanceira de aproximadamente 15 metros.
A informação foi passada para o site "Montanhas Capixabas" pelo irmão da vítima, Caio Campos. A família mora na cidade mineira de Igarapé. Segundo ele, Serginho era conhecido como Filho Herói, em homenagem ao Pai Herói, como é chamado o motorista Sérgio Amaral Campos, que seguia em outra carreta e chegou ao local do acidente minutos após o desastre.
“Meu irmão estava descendo a rodovia e, quando chegou na curva, deparou-se com um carro que estava tentando ultrapassar uma moto, ambos em sentido contrário. Com essa tentativa imprudente de ultrapassagem, o motorista do carro invadiu a mão em que meu irmão seguia, o obrigando a decidir entre arriscar uma colisão frontal ou arriscar sair fora da pista”, relatou Caio.
Ele classificou a atitude do irmão motorista como heróica. “Ele jogou o caminhão para fora da pista e, pela inércia, quando tentou retomar a rodovia, a caçamba ainda estava seguindo para fora, de modo que ela caiu primeiro pela ponte, arrastando a cabine”, contou.
O motociclista que foi ultrapassado pelo carro teria voltado ao local do acidente e comentou com os amigos carreteiros de Serginho o que tinha acontecido. “Meu irmão morreu feliz. Ele dizia que se fosse para morrer dirigindo, ele morreria feliz, desde que nunca ninguém morresse em uma batida provocada por ele”, revelou Caio.
O irmão do motorista morto no acidente informou ainda que quase todos os homens da família são motoristas de caminhão. “Minha mãe sempre fez de tudo para ajudá-lo e incentivá-lo a não ser motorista de caminhão. Mas ele queria e não ficou tranquilo enquanto não conseguiu. Eu tive a sorte de não me interessar por essa profissão tão ingrata, consegui me formar em Direito”, relatou.
O sonho de infância de ser motorista de caminhão surgiu na infância. Há menos de um ano Serginho conseguiu comprar a carreta em que ele dirigia quando morreu. “Para nós que acreditamos em Deus, não faz muita diferença encontrar o motorista do carro, mas talvez pudesse ser útil para que ele não faça mais esse tipo de ultrapassagem arriscada. Na próxima vez, pode não ser um herói quem poderá estar dirigindo o caminhão”, completou Caio Campos.