* Leandro Fidelis
A localização do corpo do vigia Daniel Mariano Dias, de 52 anos, na manhã desta terça-feira (8), em Conceição do Castelo, revelou mais que uma simples saída para pescar na noite do último sábado (5), data do seu desaparecimento. A Polícia Civil concluiu que Carlos Roberto de Souza Rodrigues, o "Beto", 18, companheiro da vítima, a quem chamava de “pai”, e o menor C.R.S, 16, suas companhias naquela noite, são acusados de matar o funcionário público na localidade de Santo Antônio do Areião, na zona rural, a cerca de dez quilômetros da sede do município serrano.
Na delegacia da cidade, o menor e o granjeiro, que vivia um relacionamento de quatro anos com o vigia, confessaram o crime para a delegada Maria Elisabete Zanoli. Daniel foi morto por golpes de barra de ferro. Beto disse que planejou tudo há 15 dias. Ele contou com a ajuda do menor, que, afirmou, teria um caso com a vítima e não suportava as crises de ciúme de Daniel. Já o granjeiro teria assassinado o companheiro para não pagar uma dívida de R$ 500,00, segundo informou a delegada.
“Ele estava me ameaçando para eu largar minha mulher e voltar para ele. Não estou arrependido não, porque se eu não o matasse, ele me mataria. Eu o respeitava muito e nunca pensei que fosse chegar a esse ponto”, disse Beto.
O corpo de Daniel foi localizado por populares às margens do rio que corta Santo Antônio do Areião, preso nas pedras, a cerca de 200 metros da ponte onde, de acordo com os primeiros depoimentos dos acusados, o vigia teria permanecido pescando na noite de sábado. Ele estava bastante inchado e com ferimentos na cabeça. Próximo do local foi encontrada a dentadura da vítima.
No início desta manhã, a polícia conduziu o granjeiro e o menor para a delegacia para protegê-los de um possível linchamento incitado pelos moradores. Nas casas dos rapazes, foram encontradas botinas com marcas de sangue.
Relacionamento conturbado
A história começa há quatro anos, quando Beto ainda tinha 14. Segundo seu depoimento à polícia, ele morava em Pinga Fogo, também no município, quando Daniel o convidou para viver na sua casa, no bairro Pedro Rigo. Com a promessa de estudar e ganhar dinheiro, o acusado passou a viver um relacionamento com a vítima marcado por mordomias e também crises de ciúme.
“Daniel tinha acabado de se separar da sua mulher, com quem teve dois filhos, e teria se apaixonado por Beto. Para manter esse relacionamento, ele sempre deu dinheiro para o rapaz e o deixava sair com o carro”, relata a delegada.
Os problemas começaram quando Beto passou a se relacionar com uma moça. Ele contou à polícia que Daniel não aceitava o namoro, fazendo constantes ligações para o celular.
Para manter o relacionamento com o granjeiro, o vigia construiu uma casa no segundo pavimento da sua, no bairro Pedro Rigo, para onde o acusado mudou-se com sua companheira, menor de idade. Nesse período, Daniel também passou a viver com uma mulher, na casa de baixo.
Conforme depoimento de Beto, tudo transcorria bem até que, de cinco meses pra cá, Daniel teria cobrado a separação do granjeiro com a moça e ameaçado vender a casa de cima caso ele não terminasse o relacionamento. Indiferente, o granjeiro continuou vivendo com a menor, aceitando pagar R$ 300 de aluguel ao companheiro, mais R$ 200 da prestação de uma moto que ele afirma ter ganhado de presente do vigia.
Ainda segundo o granjeiro, o sábado foi dado por Daniel como o prazo final para ele pagar a dívida, sob ameaça de morte. Um dia antes, Beto teria planejado matar a vítima em uma de suas saídas para pescar no interior do município. Mas com a mudança do local da pescaria pelo vigia, o plano não decolou.
O crime
No sábado, por volta das 17h, Beto saiu do trabalho no Indaiá com o Fiat Uno da vítima, passou para pegar o menor e Daniel, e saíram os três para pescar em Santo Antônio, como o vigia fazia quase todos os dias de férias.
Já eram 19h e os três estavam a 150 metros do Bar Titanic, às margens do rio, quando desferiram dois golpes de barra de ferro na cabeça da vítima. Depois jogaram no rio o corpo, sem os objetos que estavam na roupa e no embornal, e as duas barras. Uma pedra foi usada para esconder a poça de sangue.
Naquela mesma noite, eles pediram ajuda à polícia e à família da vítima para localizá-la. Muitos moradores chegaram a mergulhar no rio na tentativa de achar o corpo do vigia.
De acordo com a delegada Maria Elisabate Zanoli, Daniel trabalhava há muitos anos na Prefeitura de Conceição e era vigia da Escola Estadual Elisa Paiva. “Ele era uma pessoa muito querida pelos amigos, por isso tamanha comoção.”
O menor e o granjeiro estão detidos na delegacia de Conceição e podem ser transferidos ainda hoje para outras unidades. O corpo de Daniel foi encaminhado para o DML de Cachoeiro.



