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Caminhão bate e incita revolta de moradores em Domingos Martins

* Leandro Fidelis

(leandro@radiofmz.com.br)

 

Revoltados com os constantes acidentes no km 12 da Rodovia Sebastião Alves de Lima, que liga a BR-262 a Afonso Cláudio, moradores da localidade de Barcelos, em Domingos Martins, queimaram pneus e cercaram a pista nos dois sentidos na manhã desta quinta-feira (23). O protesto começou por volta do meio-dia depois que um caminhão caçamba em alta velocidade se desgovernou e bateu a poucos metros de uma escola, onde muitas crianças estavam no horário da saída.

 

Os motoristas não respeitam o limite máximo de velocidade do trecho, que é de 40 km/h. Acidentes gravíssimos foram registrados nos últimos anos em uma faixa de dois quilômetros, que não conta com redutores de velocidade.

 

O veículo placas MRB 4698 (Serra-ES) seguia no sentido Afonso Cláudio quando um carro teria feito uma ultrapassagem, forçando o motorista do caminhão a frear. O caminhão bateu em um poste na contramão e se dobrou na forma de um L na pista na outra margem. Houve derramamento de combustível, que foi contido pelo Corpo de Bombeiros.

Imediatamente os moradores mobilizaram uma manifestação para impedir o trânsito na rodovia, queimando pneus velhos e galhos de árvore. O congestionamento chegou a um quilômetro nos dois sentidos, e apenas ambulâncias tiveram passagem permitida pelos populares.

 

Equipes da Polícia Militar reforçaram a segurança no local, mas não houve prisões de manifestantes. Ainda como forma de protesto, os moradores usaram um trator para abrir uma valeta no asfalto.

 

A agente de saúde Reginalda Ferreira de Oliveira, coordenadora da comunidade de Barcelos, afirma que recolheu centenas de assinaturas no ano passado que foram entregues ao DER/ES exigindo providências, mas nada foi feito. “Ninguém respeita a sinalização. Nós não aguentamos mais.”

 

Mãe de dois alunos da Escola Municipal José Uliana, onde estudam 190 crianças, a dona de casa Edna Salvador, 30, ouviu o barulho do acidente quando ia buscar os filhos. “Pensei que tivesse acontecido o pior porque foi muito perto da escola.

 

A lavradora Marli Tosta de Araújo, 49, mora a alguns quilômetros de Barcelos e participou da manifestação em apoio à comunidade. “Nunca esqueço quando professores de Afonso Cláudio morreram em um grave acidente nesse trecho. Se não forem tomadas atitudes, vão morrer mais pessoas”, disse.

 

O sargento do Corpo de Bombeiros acompanhou os trabalhos da sua equipe na contenção do derramamento de combustível, muito próxima às chamas do bloqueio dos populares. Segundo ele, a solução para diminuir os acidentes seria a instalação de redutores de velocidade, a exemplo do ocorrido na “Curva da Golden Fruit”, em Pedra Azul, e em Venda Nova do Imigrante.

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