* Leandro Fidelis
Os moradores da Fazenda do Estado, Domingos Martins, são o novo grupo a reivindicar sinalização em uma rodovia da Região Serrana. Desde as 15 horas, eles protestam próximo ao trevo de acesso a Afonso Cláudio, km 95 da BR-262, por causa dos constantes acidentes no trecho. O trânsito está interditado nos dois sentidos da pista, provocando uma extensa fila de veículos.
Os manifestantes atearam fogo em toras de madeira e pneus e levaram faixas com frases de protesto. Mais cedo, foram fincadas dezenas de cruzes, simbolizando os mortos por acidentes na localidade.
Os mais recentes foram registrados nos últimos 15 dias. No último dia 11, um agricultor de 71 anos morreu ao atravessar de carro a pista. Quatro dias depois, dois funcionários do hotel Eco da Floresta, que estavam em uma moto, bateram em um Gol. Girlando Gomes Braga, 36, fraturou as duas pernas e continua internado no Hospital São Lucas.
O taxista Marcelo Trabach Eleutério participou da manifestação. Segundo ele, diariamente passam pelo trevo seis ônibus escolares que fazem o transporte até a escola mais próxima, a 500 metros. “São centenas de crianças expostas ao perigo da rodovia. Os motoristas não respeitam o limite de velocidade no trecho, que é de 40 km/h.”
Há informações de que foi feita licitação para implantação de um radar no trevo. O pedido foi por meio de um abaixo-assinado encaminhado ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes-Dnit/ES. Cansados de esperar, os moradores já levantaram mais de 5.000 novas assinaturas para encaminhar novamente ao Departamento.
A extensionista do Incaper Marlete Uliana Ébani, 59, conta que perdeu vários amigos em acidentes no trevo. Ela participou do protesto vestindo a camisa com a foto do motorista Deusdete Donna, morto em 20 de julho de 2011 no mesmo local.
Pai de Girlando, o motociclista acidentado no último dia 15, o agricultor Sebastião Gomes Braga, 67, fez questão de apoiar a manifestação. “Faço isso pelo bem de todos os usuários da rodovia. Meu filho passa bem, mas poderia ter morrido aqui como muitos outros”, disse.
De acordo com o inspetor da Polícia Rodoviária Federal- PRF, Sandro Felipe, os moradores asseguraram que iriam apenas entrar na pista e sair por alguns minutos, e não cercar a rodovia com a fogueira. Os PRFs registraram tudo para posterior Boletim de Ocorrência.