Caçula de uma família de cinco irmãos e filhos de trabalhadores rurais, Claudio Vinicius da Silva é um exemplo de perseverança e força de vontade. Ao longo dos seus 19 anos, ele passou por dificuldades que influenciaram no seu estudo e aprendizagem. Mas, hoje, é autor de poemas.
Quando tinha quatro anos, seus pais descobriram que Claudio tinha um pequeno problema em um dos ouvidos, o que resultou na dificuldade do aluno em absorver os conteúdos ensinados.
Devido a esse problema, Claudio permaneceu na segunda série durante cinco anos. Mesmo assim, continuou a estudar. Nos anos seguintes e com os tratamentos, ele passou a compreender melhor as matérias, mas, com dificuldades pessoais, o estudante acumulou outras reprovações. Com perseverança, ele permaneceu na escola e, atualmente, Claudio cursa a 7ª etapa da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Foi transformando o meio ambiente em poesia que Cláudio Vinícius chamou a atenção de professores e de outros colegas da Escola Estadual Álvaro Castelo, localizada no município de Brejetuba. O estudante produziu o texto em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado dia 05 de junho.
A cada verso, Cláudio traz a sua perspectiva sobre o mundo, mostrando a importância da preservação de recursos naturais e da conscientização da população.
A poesia foi resultado de uma atividade desenvolvida durante a disciplina de História pela professora Maria José Gomes Bighi. O objetivo era alertar sobre a destruição do meio ambiente. Para a professora, o texto do aluno se destacou pelo conteúdo que trouxe. “O texto tinha rima, queria dizer algo importante. Ele mostrou a importância de conservar o meio ambiente, com uma clareza poética”, conta.
A professora falou, ainda, do orgulho por parte do estudante ao ver sua obra exposta para toda a escola. “Parecia que ele tinha ganhado o maior dos prêmios”, conta.
Agora, Claudio conta as expectativas que ele tem para o futuro. “Eu quero estudar pra ser alguém na vida, subir mais um pouquinho, crescer, ter mais conhecimento. Eu sempre sonhei com muita coisa e quero ser professor de português. Mesmo com a dificuldade, eu tenho orgulho de quem é professor”, disse.
Incentivo
A professora Maria José Gomes Bighi é um exemplo de que a modalidade EJA é um meio de fornecer oportunidades a pessoas que não tiveram condições de continuar os estudos. Após quase 10 anos sem estudar, voltou a cursar a primeira série com 17 anos. Mesmo sofrendo pressões da sociedade para desistir, ela persistiu. “Eu acreditei em mim, mesmo com dificuldade, sem dinheiro”, contou.
Para ela, trabalhar na EJA é uma grande satisfação. “Eu, particularmente, amo porque sou fruto dela. Todo mundo acreditava que eu não conseguiria fazer uma faculdade. Mesmo assim, eu fiz a minha primeira faculdade de Pedagogia. Depois, fiz vestibular pra História e passei. Me formei também em Geografia, Educação Ambiental e Letras”.
Maria José também falou sobre os estudantes da EJA, onde leciona. “Eu queria que todos eles acreditassem como acreditei, que tivessem a consciência de que são capazes porque, assim, conseguem atingir o que querem. Precisam ter sonhos e acreditar neles em primeiro lugar”, frisou a professora.
