Cidades

A água e a falta dela são notícia nesta 5ª

•Redação FMZ/ Assessoria Câmara de Venda Nova

Vai faltar água em Venda Nova nesta quinta-feira (2). Das 10 às 23 horas, moradores de São João de Viçosa até o bairro Santo Antônio da Serra terão o fornecimento cortado por causa da intervenção da Cesan na rede adutora de água bruta. A obra é para melhorar a vazão na rede.

Estão sendo feito reparos no encanamento que começa no bairro Tapera até a Estação de Tratamento de Água na Esplanada. De acordo com a Cesan, a rede adutora está trabalhando com 25 litros de água por segundo, quando a capacidade real é de 35 l/s. A expectativa a partir das 11 da noite é que a vazão de água passe pelo menos a 30 l/s.

Vereadores se reúnem com técnicos da Cesan

O objetivo foi compreender a inviabilidade técnica de aumentar a capacidade de armazenamento de água da barragem de Alto Bananeiras

A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Venda Nova se reuniu na manhã da última sexta-feira, dia 26 de setembro, com o corpo técnico da Companhia Espírito Santense de Saneamento- Cesan. O objetivo dos vereadores foi compreender os impedimentos de aumentar a capacidade de armazenamento de água na barragem de Alto Bananeiras, pois sempre são questionados pelos munícipes e também pelos proprietários que tiveram suas terras desapropriadas para a construção.

A barragem formará o lago que abastecerá Venda Nova junto com a captação do Rio Viçosa, atual fonte de água tratada pela companhia. Na reunião, o presidente da Câmara, Marco Grillo- PSDB, e o vereador Alberto Falqueto- PDT expuseram o questionamento da possibilidade de aumentar a capacidade de armazenamento, tendo em vista que o custo adicional poderia ser pequeno em razão dos benefícios. Para ambos os vereadores, o fundamental era saber das reais possibilidades e entender as razões técnicas das escolhas e assim ter subsídios para responder aos questionamentos da população. “Quem doou o terreno, por exemplo, pode não entender a não utilização de sua totalidade para o alagamento”, disse Grillo.

O projeto, que se arrasta desde 2001 devido aos adicionais de custo e imprevistos técnicos, tem agora previsão de término no final deste ano. Antes de começar o alagamento ainda passará pelo processo de limpeza de toda matéria orgânica do terreno e ainda haverá resgate dos animais, de acordo com exigência do Instituto de Estado do Meio Ambiente- Iema.

Carlos Martinelli, diretor de Operação de Interior, lançou mão de informação do próprio engenheiro que projetou a obra para fazer argumentações. De acordo com ele, o aumento sugerido aumentaria em 30% os esforços sob a barragem, que foi feita sobre uma base cheia de fissuras- uma das razões da demora da obra. Além de aumentar o custo, outro senão seria submeter à comunidade a mais um prolongamento da execução da obra, devido à necessidade de novas etapas burocráticas a serem seguidas no caso de uma mudança no projeto.

Já a explicação do impacto biológico ficou por conta da engenheira Maria Helena Alves, gerente de Meio Ambiente da Cesan. Com o aumento do volume, o ciclo de permanência da água seria mais prolongado o que implicaria num tempo maior de residência do líquido, ocasionando ambiente propício para proliferação de bactérias. Ela afirmou que a capacidade de abastecimento do atual projeto, mesmo sem contar com o rio Viçosa, daria conta com folga da demanda. No caso de uma expansão, outra implicação seria o aumento de áreas de escape, o que compromete o efeito desejado.

Além da legislação atual não permitir o parcelamento de terrenos rurais abaixo de três hectares, o que ajuda a manter o nível de ocupação local, Venda Nova criou uma área de proteção ambiental. De acordo com Falqueto, a área de preservação já existe, mas falta ainda delimitar. “A finalização do lago será um estímulo para que o projeto saia do papel e venha para a prática”.

Na avaliação de Grillo, os proprietários do entorno têm um histórico de preservação, o que gera uma boa expectativa de ocupação e uso sustentável. Ele ainda observa que as poucas áreas de pecuária, uma atividade que poderia entrar em confronto com a manutenção da qualidade da água do lago, foram alagadas. “A expectativa é boa”, disse ao comentar sobre a possibilidade de criar um parque ambiental no lago e seu entorno.

Tanto Falqueto quanto Grillo ficaram satisfeitos com as explicações e reconheceram que somente o argumento do adiamento da obra seria o suficiente para manutenção do projeto.

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