As chuvas que caem sem tréguas no Espírito Santo provocaram mais estragos nesta terça-feira (10) nos municípios de Santa Leopoldina, João Neiva, Guarapari e Piúma. Nas últimas 24 horas (entre às 14 horas de segunda-feira e 14 horas de terça-feira, já ultrapassaram a média mensal do mês de janeiro em diversas localidades).
Em Vitória, choveu nos dez primeiros dias do ano 386mm, o que representa 157% a mais que a média do mês. Em Santa Teresa, foram 308,4mm, 37% a mais que a média e em Alfredo Chaves, choveu 196mm, 15% a mais que a média de janeiro. Embora tenha provocado deslizamentos, alagamentos, queda de pontes, assim como desalojados e desabrigados, não ocorreu nenhuma vítima fatal.
“Este resultado mostra que o Estado, que investiu R$ 50 milhões em obras de prevenção conseguiu minimizar os impactos de chuvas tão intensas”, disse o coordenador da Defesa Civil estadual, coronel Edmilton Ribeiro, em coletiva à imprensa, concedida nesta quarta-feira (10) na sede do Corpo de Bombeiros Militares do Espírito Santo. Segundo ele, equipes da corporação estão atendendo prioritariamente a população que se encontra em situação de vulnerabilidade em todos os municípios atingidos pelas chuvas.
Em Santa Leopoldina, a situação se agravou nesta quarta-feira após intensa chuva que caiu sobre o município. Equipes do Corpo de Bombeiros se deslocaram para a região, mesmo com as dificuldades de acesso devido à cheia do Rio Bubu, em Cariacica, que impediu o trânsito na rodovia que liga a Santa Leopoldina. Também pelo acesso por Santa Teresa há dificuldades em função de barreiras e pontes que caíram. Para acessar o município, carros do Exército serão utilizados, conforme esclareceu o coronel Edmilton.
“A Defesa Civil do Espírito Santo está bem estruturada, mas é preciso melhorar sempre para dar respostas aos desastres climáticos, cada dia mais frequentes”, disse o coordenador da equipe de gestão de desastres da Secretaria Nacional de Defesa Civil, tenente-coronel Werneck Martins Carvalho. Ele, que já atuou em tragédias como o terremoto no Haiti, as chuvas no Rio de Janeiro de 2011, e em Pernambuco e Alagoas, está em Vitória para dar suporte no trabalho de atendimento à população atingida pelas chuvas.
Ele esteve no Estado em novembro do ano passado para contribuir para a elaboração do mapeamento de áreas de risco e planos de contingência nos municípios de Cariacica, Marechal Floriano, Santa Leopoldina, Viana e Vargem Alta, considerados mais suscetíveis. Segundo disse, os coordenadores municipais foram treinados para atuarem em casos de desastres climáticos, “sabendo o que fazer, quando fazer e como fazer no caso de desastres climáticos.”
O tenente-coronel Werneck coordena uma equipe enviada pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, da qual fazem parte ainda especialistas em gestão de desastres, nas áreas de geologia e hidrologia. Eles ficarão no Estado até o final de março para dar suporte nas respostas da Defesa Civil durante as chuvas, mas também para propor medidas preventivas que possam minimizar ainda mais as chuvas em 2013.