Agricultura

Cooperativa leva produção de agricultores de Domingos Martins para estudantes de todo o ES

Antes de chegar à mesa dos estudantes de uma escola, o alimento passa pelas mãos de quem conhece o tempo da terra. É preciso acompanhar a lavoura, esperar o crescimento, colher no momento certo e encontrar um caminho para que aquilo que foi produzido tenha destino. 

Em Domingos Martins, parte desse caminho é feita pela Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram), que conecta agricultores familiares a programas de alimentação escolar em 78 municípios do Espírito Santo e também em outros estados.

Segundo o presidente da Coopram, Darli Schaefer, a atuação da cooperativa ajuda a aproximar os agricultores de mercados que, muitas vezes, seriam difíceis de acessar individualmente. 

“Nosso papel é fazer essa ponte entre o produtor e as escolas. Com as compras públicas, conseguimos criar novos caminhos para a produção da agricultura familiar e dar mais segurança para o cooperado produzir e saber que terá para onde escoar sua colheita”, afirma. 

Esse trabalho é possível por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que determina, desde 2009, que pelo menos 30% dos recursos destinados à alimentação escolar sejam utilizados na compra de produtos da agricultura familiar, conforme a Lei nº 11.947. 

Na prática, a política cria um canal para que alimentos produzidos por pequenos agricultores cheguem às escolas e, ao mesmo tempo, amplia as possibilidades de comercialização das famílias que vivem no campo.

Uma ponte para o campo 

Para quem produz, ter uma cooperativa fazendo essa ligação significa não precisar buscar sozinho cada comprador. É o que ocorre com agricultores de diferentes localidades de Domingos Martins, como o produtor Guilherme Volkers Waiandt, da região do Galo.

A família de Guilherme trabalha com agricultura há mais de 50 anos. O avô iniciou a produção e levava os alimentos de caminhonete até Campinho, sede do município, para comercializar. O trabalho passou pelo pai, Gervânio Elias Waiandt, conhecido como Zico, e chegou à nova geração.

Hoje, a família mantém três pequenas propriedades em produção nas regiões do Galo, Biriricas e Melgaço, onde cultiva banana, café, tangerina ponkan, abacate e aipim, entre outras culturas. Para Guilherme, a atividade rural representa a continuidade de uma história construída pela família ao longo dos anos.

“A agricultura sempre fez parte da nossa história. É um trabalho que foi passado de geração em geração e que continua fazendo parte da nossa rotina”, conta.

Cooperado da Coopram há 45 anos, ele vê na atuação da organização uma forma de ampliar o alcance da produção familiar. Além de aproximar os agricultores de compradores de outras regiões, a cooperativa assume parte da estrutura necessária para que os alimentos cheguem ao destino.

“Nossa produção tem conquistado novos destinos e, quando a cooperativa faz esse trabalho, ela olha para quem está no campo e reconhece o esforço do produtor. E, quando o produtor é valorizado, o produto também ganha valor. É uma forma de mostrar que existe uma história e uma pessoa por trás do alimento que chega à mesa”, relata.

Segurança para produzir 

Na localidade de Melgaço, Geraldo Tesch é outro produtor que encontrou na cooperativa uma forma de dar destino a parte do que é cultivado na propriedade. Ele fornece produtos à Coopram desde 2012 e entrega alface, chuchu, cenoura, abobrinha, pepino, inhame e mexerica ponkan.

Para ele, a parceria representa também mais segurança para produzir. Saber que parte da produção terá um comprador reduz uma das incertezas enfrentadas por quem vive da agricultura familiar e precisa lidar diariamente com o clima, a colheita e a variação do mercado.

“Para a gente aqui é muito importante essa parceria, ver que a Coopram compra os produtos do associado e faz as entregas nas escolas. A gente também tem uma segurança de que parte da produção tem uma venda garantida”, afirma o produtor.

Essa conexão entre propriedade e escola envolve uma estrutura organizada pela cooperativa. Alguns agricultores entregam os produtos diretamente na sede da Coopram, em Ponto Alto. Em outros casos, a própria organização faz o recolhimento nas propriedades.

Depois de recebidos, os alimentos são conferidos e separados de acordo com os pedidos de cada unidade escolar. A cooperativa organiza os produtos para o transporte e realiza as entregas diretamente nas escolas.

Assim, a produção de uma pequena propriedade de Domingos Martins pode deixar o município e chegar à refeição de estudantes em diferentes regiões. O trabalho do agricultor permanece na origem, enquanto a cooperativa organiza a ponte até o destino.

Alcance da produção 

A participação nesse processo alcança uma parcela significativa dos cooperados. Segundo a Coopram, cerca de 90% dos associados comercializam algum produto com a organização ao longo do ano. Parte vai para escolas capixabas e outra parte sai do Espírito Santo.

Neste ano, a Coopram já registra mais de R$ 15 milhões em vendas realizadas fora do Espírito Santo, segundo o presidente Darli Schaefer. O resultado acompanha a ampliação dos mercados alcançados pela cooperativa, que hoje também fornece para municípios de São Paulo e do Rio de Janeiro.

“Esse alcance mostra que a agricultura familiar tem capacidade de produzir e atender diferentes mercados. Quando conseguimos levar esses alimentos para outras regiões, ampliamos as oportunidades para os nossos cooperados e fazemos com que o trabalho realizado nas propriedades de Domingos Martins chegue cada vez mais longe”, destaca Darli.

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