* Leandro Fidelis
(leandro@radiofmz.com.br)
Durante a Revolução Feminista, muitas mulheres queimaram seus sutiãs em busca de liberdade. Hoje, elas conquistaram seu espaço no mercado, mas nem por isso deixaram de usar o acessório.
Sorte do empresário Alécio Vinco, 52, que há mais de 15 anos tem uma pequena fábrica de lingerie em Venda Nova do Imigrante, Região Serrana do Estado.
Até os 30 anos, Alécio já tinha sido agricultor e motorista de caminhão, mas um problema no coração o forçou a escolher uma profissão mais leve. Foi aí que em 95, após implantar uma válvula e sem conseguir se aposentar, ele passou a ajudar a mulher, a costureira Áurea Maria Fiorese, 49, que fazia pequenas costuras em casa.
Com um novo olhar sobre a profissão da mulher, ele modernizou os equipamentos: comprou máquinas industriais e registrou firma. Não foi difícil me acostumar com as máquinas, conta o empresário.
O casal, então, passou a produzir não só roupa íntima feminina, como biquínis, sungas de praia e cuecas. Em pouco tempo, conquistaram a clientela da cidade e da região com produtos sempre antenados nas tendências da moda. O nosso produto é bom, caprichado, de material de qualidade.
Atualmente, chegam a produzir 50 mil calcinhas, de 15 a 20 mil biquínis, 20 mil sutiãs e 2.000 sungas por ano, com variadas estampas, modelos com fivelas, bojo torcido, entre outras variedades. Tanto no atacado quanto no varejo, essas peças vão para todo o Espírito Santo, Brasil e até para Itália e França, onde o casal tem amigos que revendem.
A estudante Kelly Cazoni, 18, sai de Guarapari com a mãe para comprar biquinis no atacado do empresário. “A gente vende muito os produtos dele no litoral.”
A criação das peças se baseia em pesquisas na internet e no que veem em desfiles de moda. Ficamos de mutuca encima de novidades, diz Alécio. Mas se o cliente chega com uma foto ou modelo, eles atendem prontamente com uma reprodução.
E é o próprio Alécio que aprova ou desaprova quando as clientes provam suas peças. Tudo é muito profissional. Em 15 anos, nunca tive problemas. E falo honestamente quando não está bom. Eu quero que tudo saia perfeito, nada mais ou menos, diz o empresário.
A mulher confia no profissionalismo dele. A melhor coisa do mundo foi ele vir trabalhar comigo. É até mais habilidoso que eu na costura e se adaptou muito bem com as malhas dos biquínis.
O filho Luiz Gustavo, 19, também lida com a máquina e desde os sete já costura cuecas. Ele, que cursa engenharia civil na Universidade Federal do Espírito Santo- Ufes, ajuda nas entregas quando está de folga.
Investimento em imóveis
Quando conta sua história para os outros, Alécio Vinco diz que sempre ouve um você é um cara de sorte. Não é para menos. Quando saiu da zona rural de Venda Nova do Imigrante, em 93, com a mulher e o casal de filhos pequenos, ele conta que tinha 43 URVs de dívida com o sogro (na época, cerca de 188 mil cruzeiros que, em 1994, seriam R$ 43), que lhe vendeu um terreno na cidade, onde construiu uma casa.
Hoje, o empresário tem apartamentos em Venda Nova, Vila Velha e está construindo um prédio com 13 apartamentos na primeira cidade. Posso rezar todo dia que não consigo agradecer a Deus por tudo, diz emocionado.
Dicas do Seu Alécio
Mulher magra– É bom usar a calcinha com algum detalhe, que pode ser modelos amarrados nas laterais, com fivelas…
Peito grande– Eu sugiro biquíni com bojo e com alça mais larga, até por uma questão de conforto
Peito pequeno– Alécio aconselha a mulher usar sutiã um número maior do que o manequim
Quadril largo– Biquínis com faixas de 4 a 5 cm na calcinha
Sem bunda– Mulheres com pouca bunda não podem nem pensar em fio dental!, diz o empresário. A sugestão é um modelo vedete.
Ela põe bandido para correr
Enquanto Alécio Vinco trabalha com o universo feminino, em Venda Nova, na Escola Estadual Fioravante Caliman, no mesmo município, a segurança é feita por uma mulher.
A vigia Alessandra Gonçalves Miranda, de 31 anos, passa a noite tomando conta da escola, sempre maquiada, de sobrancelha feita e com um sorriso gratuito. Já colocou até bandido para correr. Uma noite eu vi um rapaz pulando o muro, saquei a arma e fiz ele voltar de onde ele pulou, conta.
Alessandra diz que o seu sonho era ser policial, mas como não concluiu o ensino médio e o limite de idade foi passando, o mais perto dessa realização era a área de segurança. Fez um curso há seis anos e atua há quatro.
Ela se orgulha de ser a primeira mulher vigilante da cidade, onde chama muita atenção. Já uso uma roupa masculina, então tenho que dar uma quebrada no visual. Gosto de ser mulher e também da minha profissão, diz.
Histórias não faltam na vida de Alessandra, que é casada e tem duas filhas, de quatro e 13 anos. Quando eu trabalhava em uma agência bancária, sempre era cantada, mas levava na esportiva, lembra a vigilante.
Certa vez, passou por uma situação inusitada. Dois rapazes comentaram entre si que o segurança estava maquiado. Quando se aproximaram, se espantaram ao ver que era uma mulher.
Na escola onde trabalha, a popularidade entre os alunos é certa. Alessandra é sempre simpática e transmite muita segurança, diz Jocenir Favero Cezati.
Tenho orgulho de ver uma mulher nessa função. Podemos nos espelhar nela, completa Fabíola Holtz.
Depois de Alessandra, pelo menos três mulheres já se interessaram em fazer o curso de vigilante. Sempre dou conselhos, digo que estou numa empresa legal que garante um status financeiro bom, finaliza a pioneira.