Saúde

Espírito Santo já tem 125 macacos mortos por suspeita de febre amarela; veja o que se sabe até agora sobre a doença

Fernanda Zandonadi

jornalismofmz@gmail.com

 

Vários municípios capixabas, incluindo alguns da Região Serrana do Estado, estão em alerta por conta da suspeita de febre amarela que estaria matando macacos. Até a manhã desta segunda-feira (16), 125 primatas foram encontrados mortos em matas capixabas, sendo quatro deles em Alto Bananeiras, Venda Nova do Imigrante. Na cidade, os animais já estavam em avançado estado de decomposição, apontando que já estavam mortos há, pelo menos, dez dias. Os números ainda não foram confirmados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

 

Os primatas que foram encontrados mortos em Alto Bananeiras já estavam em avançado estado de decomposição 

 

Não há, entretando, confirmação de que a morte  dos animais foi por conta da doença. Outras enfermidades, como raiva animal, malária ou herpes também podem causar a morte dos primatas. O material coletado em campo seguiu para análise e os resultados devem sair em até 20 dias. 

 

Há dois casos de febre amarela em investigação no Estado. Um dos casos suspeitos é de Conceição do Castelo, na Região Serrana do Estado. Por suspeitar estar diante de um caso de febre amarela, a secretaria municipal de saúde notificou a Sesa e o médico pediu a transferência do paciente, um homem de 45 anos, para algum hospital da Grande Vitória.

 

Veja, abaixo, o que se sabe até agora sobre a morte de macacos e a febre amarela:

 

* O surto teve início em Minas Gerais e, até a última sexta-feira (13), mais de 30 mortes e 133 casos eram investigados pelo Ministério da Saúde relacionadas à doença.

 

* Os casos foram registrados em regiões rurais ou de mata, transmitidos pelos mosquitos Haemagogus ou Sabethes. Por enquanto, não foi detectada a transmissão da doença pelo Aedes aegypti, mais famoso pela dengue, zika e chikungunya e por gostar das áreas urbanas.

 

* O maior risco é de que a doença chegue às áreas urbanas. Uma pessoa infectada em zona rural poderá ir para uma cidade. Uma vez picada por um mosquito Aedes aegypti, o inseto poderá transmitir para outra pessoa, e assim por diante. A boa notícia é que isso não aconteceu ainda, de acordo com o Ministério da Saúde e os médicos entrevistados.

 

* No Espírito Santo, 23 cidades foram consideradas áreas de risco, ou por terem sido encontrados macacos mortos em matas da região ou por serem limítrofes de outras cidades com surto da doença. 

 

* No Estado, serão disponibilizadas, a partir desta segunda-feira (16), 350 mil doses da vacina. A ideia é imunizar primeiro a população das áreas rurais. Isso criaria um bloqueio para que a infecção não chegue às cidades. 

 

* Em Venda Nova, devido aos macacos mortos que foram encontrados no Alto Bananeiras, será feito o bloqueio, com vacina, nos moradores das áreas rurais. Posteriormente, a vacina será aplicada no restante da população, à medida que ela esteja disponível na rede de saúde.

 

A vacina

 

O Ministério da Saúde alerta que, nos casos de pacientes com imunodeficiência, a administração da vacina deve ser condicionada à avaliação médica de risco-benefício. Pessoas com histórico de reação alérgica à substâncias presentes na vacina (ovo de galinha e seus derivados, gelatina e ouros produtos com proteína bovina), além de pacientes com histórico anterior de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, ausência de timo ou remoção cirúrgica) também deve buscar orientação profissional.

 

Contraindicações:

 

• Crianças menores de 6 meses de idade.

• Pacientes com imunodepressão de qualquer natureza.

• Pacientes infectados pelo HIV com imunossupressão grave.

• Pacientes em tratamento com drogas imunossupressoras (corticosteroides, quimioterapia,radioterapia, imunomoduladores).

• Pacientes submetidos a transplante de órgãos.

• Pacientes com imunodeficiência primária.

• Pacientes com neoplasia.

• Indivíduos com história de reação anafilática relacionada a substâncias presentes na vacina (ovo de galinha e seus derivados, gelatina bovina ou outras).

• Pacientes com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica).

• Gestantes. A administração deve ser analisada caso a caso na vigência de surtos.

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