Saúde

Homem corre risco de morrer em Venda Nova por falta de vaga em UTI no Estado

Fernanda Zandonadi
jornalismofmz@gmail.com

 

Atualização: Às 11h30 desta segunda-feira (11), a família do idoso foi informada de que havia um leito de UTI disponível no Hospital Evangélico, em Cachoeiro, para onde ele será transferido ainda hoje. 

 

A falta de vagas nas Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) do Espírito Santo já deixa marcas macabras. Pacientes estão morrendo por falta de tratamento adequado. Segundo o chefe de Clínica Médica do Hospital Padre Máximo (HPM), de Venda Nova do Imigrante, Demeris Jubileu, algumas mortes já ocorreram na cidade pela falta de leitos nas UTIs do Estado. O HPM não dispõe de suporte para tratar pacientes em estado tão grave e, a orientação, é de que eles sejam transferidos para hospitais estaduais, que contam com estrutura mais completa.

 

A história continua com traços trágicos. Um senhor de 76 anos aguarda, em estado gravíssimo, pela liberação de um leito. Ludugério Klittel, que tem insuficiência renal e trava uma luta contra o câncer, deu entrada no Hospital Padre Máximo (HPM) na manhã de domingo (10). Desde então, os médicos tentam um leito de UTI em Cachoeiro de Itapemirim e Vitória, mas sem sucesso.

 

"Há uma vaga em Cachoeiro que está quase saindo, mas nada certo. Mas, às vezes, ficamos três, quatro dias com um paciente grave aqui, por falta de leitos. Algumas famílias precisam entrar com ação na Justiça para conseguir uma vaga. E o senhor Ludugério pode morrer se não fizer a hemodiálise. Na madrugada de hoje (segunda), a médica plantonista teve que lutar muito para mantê-lo vivo. Cheguei aqui pela manhã, ele precisou ser sedado e entubado. A hemodiálise já era para ter sido feita ontem (domingo). Sem a hemodiálise não há chances, já que os níveis de potássio dele estão muito altos e, só com medicamentos, não conseguimos baixar. Esse tipo de luta por vaga acontece aqui no hospital pelo menos duas vezes por semana. Não há vagas na  UTI e já tivemos algumas mortes por conta da falta de leitos", conta o chefe de clínica médica do HPM, Demeris Jubileu, explicando que a espera de até quatro dias por um leito pode ser fatal para pacientes mais graves. 

 

O filho do paciente, Celso Kuster, já está buscando na Justiça uma liminar que obrigue o Estado a conseguir um leito de UTI para o pai. "Ele está precisando urgente dessa hemodiálise, senão os médicos disseram que esperam o pior. E desde ontem (domingo) estamos lutando por essa vaga. Pagamos ambulância, se necessário, mas o problema é que a vaga não aparece", desespera-se o filho. 

 

O que diz a Secretaria de Estado de Saúde

 

Em nota, a  Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que "vem trabalhando para garantir e ampliar o acesso aos serviços de saúde. A vaga solicitada está sendo providenciada dentro do perfil clínico do paciente. Para garantir o atendimento em leitos hospitalares, primeiro são avaliadas as características e especialidades solicitadas pela unidade. Primeiramente, é feita a busca pela vaga nos hospitais estaduais, caso não haja leito disponível é feita a busca na rede filantrópica, e por fim, na rede particular".

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