Cidades

Hospital 50 anos: a importância das Voluntárias

* Henrique Pagotto

Se o Hospital Padre Máximo é hoje referência na Região Serrana, deve muito à Associação de Voluntárias, que trabalha com o objetivo de arrecadar recursos para a instituição desde 1979. Quando foi criado, o Padre Máximo era carente de tudo: rouparia, utensílios de cozinha, equipamentos médicos, devido à falta de dinheiro.

Para mudar essa situação, um grupo de mulheres decidiu se unir e fundar a Associação das Voluntárias Pró-Hospital Padre Máximo. Elas se reuniram na Casa de Haydeé Feitosa e decidiram começaram a organizar rifas, almoços, jantares e a participar de festas, como forma de arrecadar recursos para o hospital, e assim comprar o que faltava na instituição.

A idéia das Voluntárias do Hospital surgiu depois que José Luis de Carvalho, médico do hospital, em uma viagem a São Paulo, conheceu um grupo de mulheres que fazia um trabalho semelhante no Hospital das Clínicas. Devido ao aumento do trabalho, elas ocuparam o porão do antigo posto de saúde de Venda Nova como sede provisória. Hoje a associação possui 130 voluntárias e uma sede própria, onde são produzidos os trabalhos.

Enedina Brioschi é voluntária desde a criação do grupo. Ela trabalha na equipe do bordado, preparando os materiais para que outras voluntárias façam o trabalho. Enedina ainda leva trabalho para casa. “Tudo que precisa ser lavado, passado e engomado eu trago pra casa e faço aqui”.

Para ela o trabalho voluntário faz bem para quem recebe e para quem pratica. “É uma higiene mental pra gente também. Quando você ajuda o próximo fica feliz com você mesmo. Eu acho que isso está no sangue dos voluntários de Venda Nova. Os antigos começaram isso e a gente dá continuidade”.

Aperfeiçoamento

O trabalho das voluntárias teve um significativo avanço com a chegada de Jutta Batista da Silva. Segundo Marlene Piazzarollo Zandonadi, que também participa do grupo de voluntárias desde a criação, dona Jutta arrumou o trabalho do grupo, que se aperfeiçoou. “Ela trouxe novos modelos, revistas e assim o artesanato melhorou. Ela acreditou em nós porque sabia que era um trabalho sério”, afirma Marlene, que atualmente ocupa o cargo de tesoureira da instituição.

Doações

Os recursos são utilizados para a compra de aparelhos, equipamentos, camas, colchões, utensílios de cozinha, televisores e outros; para a manutenção dos equipamentos, conservação do prédio e refeição de mães que estão acompanhando filhos internados no hospital. Além disso, toda a rouparia, como lençóis, toalhas, uniformes para enfermagem, é comprada e confeccionada pelas voluntárias, na sede da associação.

Mensalmente, a associação repassa para o hospital em torno de R$ 10 mil. “A diretoria do hospital analisa as necessidades e nos faz o pedido. Nós verificamos se há dinheiro em caixa, compramos o produto e fazemos a doação. Nós só fazemos doação em dinheiro direto no caso do pagamento das refeições para mães carentes”, afirma a tesoureira Marlene Piazzarollo Zandonadi.

Para ela, a importância das voluntárias para o hospital é perceber hoje a melhoria de tudo dentro da instituição, como materiais de cirurgia, da cozinha, lavanderia, equipamentos e outros. “A associação de voluntárias veio para somar nesses 30 anos. E faz uma diferença muito grande para o hospital de Venda Nova”.

Marlene acrescenta que gostaria de ver o movimento continuando e faz um apelo aos jovens. “O que a gente fez por esse hospital a gente gostaria que não acabasse nunca. Então queremos que o jovem sinta vontade de entrar nesse movimento para dar continuidade. Não seremos eternos aqui e não gostaríamos de acabar com esse movimento que tanto ajuda nosso hospital”.

Pedágio

Bem antes de surgir a Associação de Voluntárias do Hospital Padre Máximo, um grupo de jovens se uniu e trabalhou para ajudar a insitituição em seus primeiros anos de existência, quando a situação era muito difícil. Segundo a microempresária Lúcia Altoé, que estava no grupo, eles decidiram fazer um pedágio, na saída de Venda Nova para Castelo. “Eu lembro que foi em fevereiro, durante o carnaval”, conta.

Com o dinheiro arrecadado, uma parte do grupo foi a Castelo e comprou tecido para confeccionar camisolas, roupas de cama, e outros materiais que foram costurados por Cila Altoé. O material chegou na hora certa, pois houve um grave acidente na BR-262. “O hospital não tinha nada e acho que não estava pronto e eles utilizaram o material que nós produzimos”, relata Lúcia.

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