Cidades

Livro alerta para sinais ignorados dentro de casa e acende debate sobre negligência emocional

Em um momento em que a proteção infantil ganha espaço no debate público, impulsionada por discussões sobre saúde mental, uso excessivo de tecnologia e dinâmicas familiares contemporâneas, uma questão essencial ainda permanece pouco explorada: o que, de fato, os pais estão deixando de perceber dentro de casa?

É a partir dessa provocação que o psicólogo forense Rafael Monteiro lança o livro “Órfãos de Pais Vivos”, uma obra que desloca o foco da ausência física para um problema mais sutil e, muitas vezes, invisível: a negligência emocional.

Com mais de uma década de atuação no sistema de Justiça, Monteiro constrói sua narrativa a partir de casos reais e de uma constatação recorrente: crianças raramente verbalizam o sofrimento de forma direta. Elas se expressam por meio de comportamentos, mudanças de humor e silêncios, sinais que frequentemente passam despercebidos por adultos.

“A criança não fala o que está sentindo ou passando, ela demonstra. Por isso, o maior erro dos pais hoje não é a falta de amor, mas a falta de percepção”, avalia Rafael.

A obra chega em um contexto marcado por rotinas aceleradas, hiperconexão digital e uma crescente dificuldade de conexão emocional dentro das famílias. Segundo o autor, o maior risco não está apenas fora de casa, mas dentro de relações que aparentam normalidade, entretanto carecem de escuta e percepção.

Uma discussão urgente sobre a infância contemporânea

Ao longo do livro, Monteiro apresenta conceitos que dialogam diretamente com os desafios atuais da parentalidade:

• Negligência emocional invisível: quando a criança está fisicamente assistida, mas emocionalmente desamparada
• Comunicação não verbal infantil: comportamentos como linguagem emocional
• Falsa sensação de segurança familiar: a crença de que o risco está sempre fora de casa
• Normalização do distanciamento: o impacto das telas e da rotina na conexão entre pais e filhos

A obra também levanta questionamentos que convidam à reflexão, especialmente em um cenário onde o tempo de convivência é frequentemente substituído por interações mediadas por tecnologia:

• Até que ponto os pais realmente conhecem o mundo emocional dos filhos?
• O silêncio de uma criança é tranquilidade ou um sinal não interpretado?
• Estamos criando crianças seguras ou apenas crianças silenciosas?
• Qual é o custo emocional de uma presença distraída?

“O silêncio da criança pode ser o maior alerta dentro de uma casa, afinal nem toda presença é conexão”, destaca Monteiro.

Do alerta à ação

Mais do que uma análise, “Órfãos de Pais Vivos” propõe caminhos práticos para fortalecer a relação entre adultos e crianças:

• Atenção a mudanças comportamentais sutis
• Redução de distrações no convívio familiar
• Construção de ambientes emocionalmente seguros
• Desenvolvimento de escuta ativa e sensibilidade

“A proteção começa quando o adulto aprende a perceber. Antes disso, tudo pode passar despercebido, pontua Rafael.

Sobre o autor

Rafael Monteiro é psicólogo forense, especialista em famílias, infância e juventude, com mais de 12 anos de experiência no sistema de Justiça. Ao longo de sua trajetória, atuou diretamente em casos complexos envolvendo dinâmica familiar, violência e desenvolvimento infantil, o que fundamenta sua abordagem prática e profunda sobre o tema.

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