Polícia

Para inibir roubos, Venda Nova terá mais policiais, vigilância pelo WhatsApp e câmeras nas ruas

Fernanda Zandonadi
jornalismofmz@gmail.com

 

Diante da onda de furtos e roubos que aconteceram em Venda Nova do Imigrante nos últimos meses, lideranças se reuniram na tarde desta quarta-feira (17) para discutir medidas preventivas para a segurança pública da região.  A discussão, que foi convocada pelo Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM),  contou com a presença de membros das polícias civil, militar e federal, além de representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Entre as medidas para inibir os crimes, o reforço do policiamento na cidade e nas rodovias, a instalação de câmeras de videomonitoramento, a criação de um grupo comunitário de vigilância pelo WhatsApp e a instalação de delegacias especializadas na cidade.

 

A primeira estratégia será o reforço do policiamento ostensivo e de abordagens. Segundo o comandante da 2ª Cia Independente, que abrange, além de Venda Nova, Laranja da Terra, Afonso Cláudio e Conceição do Castelo, major Santiago, 22 policiais com armamento pesado estarão na cidade a partir desta quinta-feira (18). "Já temos 30 policiais atuando e contaremos com reforço para fazer buscas e rondas na região. Também já estamos trabalhando com um núcleo de inteligência da Polícia Militar dentro do município", ressaltou o major, explicando ainda que o reforço vai abarcar não apenas a zona urbana da cidade, mas povoados no interior, que também são alvos dos bandidos. 

 

O major ressalta  um aumento de 35% nos crimes contra o patrimônio em Venda Nova nos últimos meses. Entre os fatores que influenciaram a alta, a crise econômica que atinge o país e gera falta de dinheiro, o endividamento  e o desemprego na população, além do crescimento da cidade, que conta hoje com um grande número de restaurantes, mercearias, lojas e residências em geral. 

 

Outro fator agravante é que a cidade tem muitas vias de acesso e, consequentemente, de fuga para os bandidos. "A região é cortada por uma rodovia federal e outras três estaduais. Há, além disso, muitas vias secundárias, que levam a povoados e distritos, o que facilita a ação de fuga dos bandidos", ressalta. 

 

Por conta disso, a Polícia Rodoviária Federal também está com um esquema visando à segurança da população, de acordo com o superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Espírito Santo, Marcos Rainha. "Vamos intensificar o policiamento e as abordagens. As viaturas ficarão mais próximas e por mais tempo na cidade", explica. 

 

Segundo a titular da Delegacia de Venda Nova do Imigrante, Maria Elisabete Zanoli, as investigações em torno dos roubos e furtos que já ocorreram estão em andamento. A delegada não suspeita de uma só quadrilha, mas que vários grupos estejam agindo na região. "Há aqueles que arrombam com chave mestra, aqueles que tiram o miolo da fechadura, há furtos e assaltos à mão armada. Suspeitamos que há informantes que moram na cidade e que passam a rotina das casas e comércios para esses bandidos. Uma das táticas, por exemplo, é interfonar para os apartamentos e, caso não surja uma resposta do morador, o imóvel é roubado", conta. 

 

Segundo ela, a elevação no número de crimes tem a ver também em como a cidade é vista pelos criminosos. "Um sujeito nos informou que, em um local de venda de drogas em Castelo corre a ideia de que Venda Nova é uma mina de ouro, que pessoas ricas moram aqui. E isso atrai bandidos", ressalta.

 

Entre as recomendações da delegada, está entrar em contato com as polícias em caso de movimentação suspeita e cuidado na hora de contratar mão de obra. "Tivemos de empresas que contrataram um funcionário que tinha várias passagens pela polícia e o sujeito se envolveu em mais crimes. E hoje a história está mais grave. Se antes os bandidos levavam dinheiro e joias, hoje eles estão levando até mesmo produtos de higiene pessoal das casas", explica.

 

Videomonitoramento

 

Além de mais policiais nas ruas e um número maior de abordagens, ficou definido na reunião que a Câmara de Venda Nova vai arcar com a compra das câmeras de videomonitoramento. Os equipamentos serão instalados em pontos-chave da cidade e são mais uma forma de inibir assaltos e furtos. "Já conversamos com os vereadores e eles decidiram autorizar a licitação pela prefeitura. A Câmara vai arcar com os custos e os equipamentos estarão nas ruas o mais rápido possível", explicou o prefeito de Venda Nova do Imigrante, Dalton Perim.

 

WhatsApp

 

No início de fevereiro, o prefeito deu uma entrevista à RÁDIO FMZ  para falar sobre segurança pública. Na ocasião, pedimos aos leitores do site da rádio que enviassem dúvidas, queixas e sugestões para reprimir o crime na região.  Dois leitores sugeriram a criação de um grupo de WhatsApp, formado por membros da comunidade, e que ajudariam na vigilância dos bairros.  Quer dizer, se alguém ver algo suspeito na região, enviará uma foto ou o endereço ao grupo e a polícia verifica a suspeita. 

 

O internauta Judinel Feu Dias sugeriu que "poderíamos criar um grupo de vigilância dos bairros formado pelos moradores, uns vigiando as residências  dos outros. Isso poderia ter um efeito positivo?". A leitora Orlinda Ferreira acrescentou "a polícia deveria ter um grupo no WhatsApp para podermos denunciar e mandar as fotos e videos de acontecimentos estranhos". 

 

A ideia, que foi muito bem recebida pelos membros das polícias, vai gerar frutos. Segundo o major Santiago, "vamos disponibilizar um número de WhatsApp para que as pessoas possam nos contactar. A ideia é mesmo envolver e estimular a comunidade, para que eles participem ativamente da segurança da cidade", explicou. 

 

Delegacias

 

A fim de elucidar os crimes que ocorrem não apenas em Venda Nova, mas nos municípios do entorno, o prefeito da cidade vai agendar uma reunião com o governador Paulo Hartung. A ideia é a criação de delegacias especializadas, como de homicídios e de crimes contra o patrimônio. A conversa ainda não tem data para acontecer, mas a ideia é otimizar a mão de obra dos policiais civis que atuam nos municípios da Região Serrana do Estado e permitir uma elucidação mais rápida dos crimes que acontecem nas cidades.

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