A quantidade de incêndios em vegetação aumentou 334% no Espírito Santo em junho de 2026. Segundo dados do Corpo de Bombeiros, foram registrados 252 atendimentos relacionados a esse tipo de ocorrência no período, contra 58 no mesmo mês de 2025.
A alta também aparece no acumulado do primeiro semestre. Entre janeiro e junho deste ano, foram contabilizados 943 atendimentos no Estado, número 53,6% maior que o registrado no mesmo período de 2025, quando foram 614 ocorrências.
O cenário chama ainda mais atenção diante dos incêndios registrados nos últimos dias na Grande Vitória. Desde sexta-feira (17), três focos em áreas de vegetação foram noticiados na região. O caso mais recente foi em Vila Velha, em uma área de mata próxima à Escola de Aprendizes-Marinheiros do Espírito Santo (Eames), na Prainha, na manhã de domingo (19).
Antes disso, na sexta-feira (17), outros dois focos foram registrados: um em um morro de Argolas, em Vila Velha, e outro no Parque da Fonte Grande, em Vitória.
No primeiro semestre de 2026, a Serra foi o município capixaba com o maior número de atendimentos relacionados a incêndios em vegetação, com 127 registros. Confira as 10 cidades com mais chamados neste ano.
- Serra: 127
- São Mateus: 88
- Guarapari: 74
- Linhares: 72
- Vila Velha: 64
- Cariacica: 61
- Aracruz: 58
- Marataízes: 40
- Cachoeiro de Itapemirim: 37
- Colatina: 35
O diretor-adjunto de Operações do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Malacarne, explicou que o período entre junho e outubro costuma registrar aumento nos casos, devido à redução das chuvas e da umidade relativa do ar, condições que favorecem a propagação do fogo.
“Esse número tem relação com o período de estiagem, quando a vegetação acaba ficando mais seca. Se houvesse um índice pluviométrico mais alto, os registros de incêndios seriam menores. Mas ainda não é possível afirmar se isso tem relação com o El Niño”, afirmou o coronel.
Malacarne destacou que o aumento dos incêndios no inverno não é uma regra, mas ocorre com frequência. “Se houver chuva durante o período de inverno, pode ser que os incêndios diminuam. Mas, no geral, é nessa estação que ocorre o maior número de registros.”
Causas dos incêndios
Segundo o tenente-coronel, a maior parte dos incêndios em vegetação registrados no Espírito Santo tem relação com ações humanas. “As principais causas estão ligadas ao ser humano, quando realiza a queima de algum material lenhoso ou lixo. Quando essa queima perde o controle, se torna um incêndio florestal”, explicou.
O bombeiro destacou ainda que, quanto mais seca estiver a vegetação, maior é a possibilidade de o fogo ganhar grandes proporções. “A vegetação mais seca faz com que o fogo se espalhe com mais facilidade.”
Apesar disso, a legislação permite a utilização do fogo em situações específicas e mediante autorização. Segundo Malacarne, essas liberações ocorrem entre outubro e abril, com autorização e acompanhamento do órgão responsável, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf).
A recomendação do Corpo de Bombeiros é evitar o uso do fogo para eliminar resíduos.
“Evite utilizar o fogo para queimar material lenhoso, até porque a queima pura e simples é proibida. Evite também usar o fogo para queimar lixo”, finalizou.
Fonte: A Gazeta