Comemorar a primeira década da Rádio FMZ é uma satisfação para toda a equipe que acompanhou a trajetória desta emissora. Técnicos, locutores, repórteres, administradores, recepcionistas, programadores, diretores, equipe da limpeza e do cafezinho, enfim, é muita gente que está aqui, para nós chegarmos aí, até você, nosso ouvinte, pelas ondas sonoras do rádio ou aqui da Internet.
Compondo essa grande equipe estão também nossos parceiros, empresas, instituições, agências e profissionais liberais que investem nessa ideia: uma rádio educativa que leva a todos, todos os dias, lazer, informação, alegria, música e conscientização social. Aqui você vai conhecer um pouco da história da primeira década da Rádio FMZ a partir das lembranças dos seus instituidores.
Dom Décio Sossai Zandonadi
(bispo da Diocese de Colatina e presidente do Conselho Curador da FMZ)
“O contexto do começo da rádio parte da vontade de ter em Venda Nova um meio de comunicação. Na época, eu era bispo auxiliar de Belo Horizonte e antes, como provincial dos salesianos, fui trabalhando muito a comunicação como diretor do Sistema Salesiano de Videocomunicação. Tive contato com diversos modos, fases de buscar televisões e rádios. Em 1998, quando fui conduzido para ser o coordenador nacional da Igreja do Brasil no setor de comunicação, foi a oportunidade de iniciar o processo para requerer uma rádio educativa para Venda Nova. Foi muito complexo, porque nem sempre a gente consegue tudo de repente. No Ministério das Comunicações, tudo é muito lento. Usei a influência junto à bancada mineira e o ministro em concreto com quem eu dialogava era o Pimenta da Veiga, que facilitou bastante encontrar o caminho para trazer a rádio para Venda Nova. Foram quatro anos de idas e vindas ao Ministério das Comunicações, pedindo influência de alguns políticos para agilizar o processo até que conseguimos implantar a FMZ em 2002.
Nesses últimos dez anos, a rádio foi além das expectativas. Para a montagem do estúdio não havia muitos recursos. Havia um certo pessimismo de que a rádio não pudesse se solidificar. Mas alguns fatores nos ajudaram. Nós fomos a única rádio educativa implantada em Venda Nova e tivemos a simpatia da população na medida em que o veículo foi ganhando espaço. Aos poucos, fomos trabalhando e, graças à equipe comandada pelo meu irmão Clóvis, minha cunhada Kenny Caliman e, sobretudo, Chico Zandonadi, a FMZ passou a ser referência nas montanhas. E hoje acho que a rádio cumpriu o seu papel, tornou-se referência na região em nível de valorizar a tradição italiana daqui e modernizou sua equipe.
A FMZ passa a ter uma atuação forte na sociedade vendanovense e nas montanhas. Passou a ser muito mais do que imaginei na época em que foi fundada. Claro, gostaria que a potência se expandisse. Mas qualquer rádio através da Internet pode chegar em qualquer parte do mundo. O desafio maior é que a rádio tenha um jeito, uma cultura diferenciada, um jeito novo que, entrando na Internet, passa a ser referência para outros lugares. O importante é ter qualidade na programação e isso a Rádio FMZ conseguiu ao longo desses anos. Torna-se evidente a cultura diferenciada de Venda Nova, a referência de uma política sadia, de turismo, em nível de experiências comunitárias, enfim, tudo aquilo que valoriza a região e que passe os valores culturais, com a linguagem do mundo moderno. Tenho certeza de que meu pai, Máximo Zandonadi, tem acompanhado a rádio com muito carinho lá do céu. Ele nunca pensou para si, mas para a cidade, para o progresso da região.
“FMZ era uma rádio FM, um nome básico. O Z entrou aí como homenagem ao meu pai, compôs esse nome de forma quase natural. FMZ não é a valorização de uma família, e sim, de uma ideia. Não só da rádio, mas também do Centro Cultural e Turístico, que dá um dinamismo próprio aos valores inseridos nessa sociedade bonita de Venda Nova e da região de montanhas” (Dom Décio Sossai Zandonadi)
Francisco Ivan Zandonadi, o “Chico”
(locutor e diretor da Rádio FMZ)
“A ideia da rádio e todo trabalho para buscar a sua concessão devemos a Dom Décio Sossai Zandonadi. Ganhada a concessão e comprados os equipamentos, o transmissor, mais precisamente, e a antena, ele veio a Venda Nova e me convidou para montar a rádio. Era muito simples no começo, contava com equipamentos de uma rádio comunitária: mesa bem barata, um computador e um microfone apenas. Montamos o primeiro estúdio na Avenida Ângelo Altoé, encima de onde funciona hoje a Eletromotriz. Para ter um pouco de acústica, forramos as paredes com crivo de ovo. Não tínhamos pedestal para o microfone, o fizemos a partir de uma luminária. Logo no início, só tinha programação musical, não tinha programas. Aí comecei a fazer um programa logo cedo, lendo notícias do jornal (não tinha Internet). Assim, fui estruturando o programa. Foram entrando alguns apoios culturais e veio o Silvinho, lá de Minas Gerais, nosso primeiro companheiro no rádio.
Passaram por aqui Fernanda Zandonadi, Magno Nogueira, Marcelle Altoé (com programa voltado ao público infantil), Santos Duarte (seu pai, com programa sábado à noite). Fomos popularizando o veículo rádio e o público acompanhando a evolução da FMZ. Hoje temos uma rádio profissionalizada, que se mantém.
Não podíamos fazer uma rádio como nas grandes cidades. Fizemos um pouco mais lenta, conforme a velocidade aqui nas montanhas. A FMZ nesses dez anos sempre foi muito sensível aos movimentos culturais, sociais e religiosos de Venda Nova e região, ampliando seu raio de transmissão. Antes eram 500 watts, hoje temos 1.000 watts. Com o advento da Internet, fizemos o site. Hoje, estamos com presença atuante em tempo real com as redes sociais. Sempre houve uma preocupação jornalística, uma rádio sempre pronta a abrir espaço para o jornalismo a todo o momento. Isso porque o rádio hoje é um companheiro e tem capacidade de levar informação muito mais rápido que os outros meios.
Clóvis Zandonadi
(presidente da Fundação Máximo Zandonadi, mantenedora da Rádio FMZ)
“A rádio foi projetada sem muitas pretensões. Hoje chegamos a 12 funcionários. Ficamos muito felizes com o crescimento. A FMZ é muito ouvida em toda a região. A nossa função é essa: colocar os ouvintes a par de tudo o que acontece em Venda Nova e região. Aos poucos, com recursos do Dom Décio ajudando e da própria diretoria, transformamos a rádio no que é hoje. Estar à frente da presidência é muita responsabilidade, mas também nos traz muita felicidade não só pela rádio, como pelo Centro Cultural e Turístico. São projetos que estão dando certo e quero ver a sua continuidade, estando eu ou não à frente da diretoria.”
João Fábio Zandonadi
“A ideia de papai é a de que se formasse uma rádio educativa para trazer mais valores educacionais ao nosso tempo. Francisco Zandonadi, por meio de sua equipe, resume as notícias de todo o mundo diariamente. Isso é muito importante para o nosso produtor rural, que fica mais informado, tomar decisões no seu dia-a-dia. Fazemos um trabalho educacional e voluntário muito bom para a sociedade.”
Marta Amélia Zandonadi Bissoli
“A Rádio FMZ, em dez anos, cresceu muito e ajudou muito a comunidade de Venda Nova porque onde a gente trabalha com cultura, isso enobrece a sociedade. Todos que participam disso crescem junto e a comunidade também. O papel da rádio é de grande importância. Era o sonho do meu pai e acho que de toda a comunidade. Cultura ninguém tira da gente.”





