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da Família

Venda Nova dos Imigrantes

•Por Leandro Fidelis

Os grandes centros sempre atraíram pessoas a fim de começar uma nova vida em outro lugar. Não à toa, centenas de moradores da zona rural mudam-se para as capitais, fenômeno bastante comum no Brasil.

No interior, acontece processo semelhante, mas de âmbito regional. É o caso de Venda Nova, cuja prestação de serviços maior e a localização estratégica facilitada pela BR-262 o tornaram o centro das montanhas capixabas. “Venda Nova está sendo o centro das atenções pela qualidade de vida e serviços prestados. Por isso está atraindo tantos turistas, profissionais ligados ao agronegócio e moradores de municípios vizinhos”, avalia o prefeito Braz Delpupo.

Vem gente de Afonso Cláudio, Conceição do Castelo, Castelo, Cachoeiro de Itapemirim, Vitória, Linhares…

Muniz Freire, a cerca de 70 km, é a origem de muitos. Casamentos com vendanovenses, busca por emprego e estudo estão entre as razões da permanência de dezenas de munizfreirenses na cidade.

A reportagem da FMZ fez uma avaliação a partir do próprio dia-a-dia. Comerciantes bem-sucedidos, funcionários públicos e até o juiz de direito saíram de Muniz Freire. O Censo 2007 não revela o município de origem da população, apenas o tempo de residência em Venda Nova, o que torna difícil contabilizar quantos são munizfreirenses.

“Hoje eu já me considero de Venda Nova. Me projetei para a vida em qualquer lugar, mas aqui as portas se abriram”, diz a comerciante Nelci Henrique Entringer, aqui há 16 anos. Além do seu marido, José Carlos Entringer, seis irmãos são casados com pessoas de Muniz Freire.

Já o comerciante Sebastião Salazar, o “Tiãozinho”, 37, escolheu Venda Nova para ampliar os negócios da família, iniciados há 20 anos na cidade por dois dos 11 irmãos. “Quando eles vieram de Piaçu, estava começando a se falar de Venda Nova. Logo observamos que era uma cidade com boas perspectivas de crescimento”.

Hoje, a família Juvanhol emprega 25 pessoas em sua rede de lojas de móveis e confecções. No meio desses funcionários, há pelo menos cinco munizfreirenses.

Para o dentista e professor Haroldo de Almeida Deps, não bastou ser de família tradicional munizfreirense na hora de escolher Venda Nova para viver. “Meu avô, Pedro Deps, teve o primeiro carro da cidade”, ressalta ele, que foi morar na capital em 1987.

Com a aprovação do filho mais velho no vestibular de Ouro Preto (MG) em 2000, ele e a mulher, a professora Rosângela Duda, também de Muniz Freire, acabaram fixando residência aqui pela facilidade de locomoção na BR-262. “Ainda preservo uma estreita relação com Muniz Freire e vou lá sempre que posso. Tenho boas recordações”.

O juiz Valeriano Cesário Bolzan saiu de Muniz Freire com 14 anos para estudar. Depois de formado, foi aprovado no concurso de juiz. Sua primeira atuação foi no Norte do Estado, onde ficou dois anos. Assim que teve uma promoção, optou por Venda Nova.

“Já poderia estar numa comarca de 3ª entrância, como Cachoeiro e Colatina, mas aqui encontrei uma equipe boa de trabalho, que me ajuda a desenvolver projetos e agilizar processos. Sem contar a proximidade com minha residência em Vitória e a casa dos meus pais em Muniz Freire”, ressalta.

O músico Everaldo Cassa, 25, veio para fazer faculdade há quase sete anos. Acabou trabalhando de garçom e há três anos começou a tocar viola como profissão. Casado, hoje dá aula de violão em casa e forma dupla sertaneja com Renato, também natural de munizfreire. Em Venda Nova, encontrou apoio para a gravação de dois CDs.

“Aqui também existem problemas, não são as mil maravilhas que vêem as pessoas de fora. Venda Nova oferece mais oportunidades. É melhor ganhar R$ 300 em Venda Nova que R$ 3.000 em Muniz Freire, é o que pensam meus conterrâneos”.

Oportunidades

Enquanto os munizfreirenses continuam nesse êxodo para Venda Nova, a Prefeitura de lá tenta reverter isto a partir de um plano de desenvolvimento. De acordo com o prefeito Ezanilton Delson de Oliveira, mais conhecido por “Doutor Delson” por causa da medicina, o processo começa com investimentos na infra-estrutura dos distritos, o que proporciona campos de trabalho. No último Censo, em 2000, o município registrava 19.860 habitantes.

“Muniz Freire não tinha qualidade de vida porque os prefeitos só investiram em pontes, estradas… Só para se ter uma idéia, o esgoto não era tratado. Começamos isso nesse mandato”, diz o prefeito, um carioca que mora em Muniz Freire há 14 anos.

Na visão de médico, o prefeito expõe que faltavam especialistas e as áreas de lazer se resumiam a campos de futebol. “Estamos criando oportunidades de emprego na agricultura e no agroturismo, que não era é explorado. O comércio também tem feito a sua parte com investimentos A baixa auto-estima do munizfreirense está sendo superada”.

Para Doutor Delson, o desenvovimento local será a longo prazo e depende de ações regionais. “Não adianta uma cidade de 116 anos se desenvolver sozinha”. O prefeito é vice-presidente do Consórcio do Caparaó. Uma ação da entidade é justamente fazer com que os cidadãos não se mudem para as cidades vizinhas.

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