Cidades

Caramujos africanos infestam Venda Nova

* Henrique Pagotto

Além dos transtornos de alagamentos e deslizamentos de barreiras, as chuvas também estão trazendo para Venda Nova outro problema: a infestação de caramujos africanos. Os moluscos apareceram em vários pontos da cidade, e a Vigilância Sanitária Municipal já está tomando providências e orientando os moradores.

De acordo com o coordenador da Vigilância em Saúde, Eduardo Dalfior, a recomendação é recolher os moluscos usando luvas ou sacolas plásticas para evitar doenças caso estejam contaminados. “A orientação é que se queime esse caramujo ou pise encima e não aproveite a carapuça porque ela pode acumular água e se tornar um foco do mosquito da dengue”, explica.

A funcionária pública Teresinha Falqueto encontrou alguns caramujos em dezembro passado na sua casa, em Bananeiras. Pela orientação da Vigilância Sanitária, ela deu fim aos moluscos, queimando-os. Só que no início deste ano a situação foi diferente. “Apareceram muitos, acho que por causa da chuva. Eu enchi meia lata, joguei álcool e os matei. Vamos ver se isso vai resolver”.

Saiba mais sobre o caramujo africano:

Manejo e controle

Adultos dessa espécie podem atingir de 15 a 20 cm de comprimento de concha e mais de 200 gramas de peso total. Pode ainda produzir de 50 a 400 ovos por postura.

O método de controle mais eficaz é a coleta manual dos moluscos e de seus ovos (com luvas descartáveis ou sacos plásticos), colocando-os em sacos plásticos e fazendo incineração total.

Para aumentar a eficiência da coleta, pode-se usar iscas das plantas preferidas, umedecidas e colocadas perto de pontos que servem como refúgio para os caramujos no fim da madrugada. A coleta deve ser feita pela manhã.

Dada a grande fecundidade da espécie, a catação deve ser repetida com freqüência, ao longo do ano, sem interrupção, incluindo áreas urbanas, agrícolas (especialmente hortas e roças), áreas agrícolas abandonadas, capoeiras e bordas de florestas e de brejos.

Também é eficaz colocar uma grande quantidade de sal nos sacos plásticos com os moluscos e enterrá-los em seguida em valas cobertas com cal virgem, para não haver contaminação do solo. Recomenda-se comunicar o Centro de Vigilância Sanitária e o Ibama.

Riscos à saúde

O caramujo foi introduzido no Brasil na década de 80 para fins comerciais, por criadores de escargot numa feira agropecuária no Paraná e pelo mesmo motivo alcançou diversos estados.

Como as tentativas de cultivo e comercialização fracassaram, os criadores soltaram os caramujos no ambiente silvestre. Sua alta taxa reprodutiva, aliada a uma grande capacidade de adaptação e a ausência de predadores, favoreceu sua rápida dispersão.

A espécie pode transmitir dois vermes que prejudicam a saúde humana. Um dos vermes é causador da angiostrongilíase abdominal, doença grave que pode causar a perfuração intestinal, hemorragia e resultar em morte. O outro causa agiostrongilíase meningoencefálica, doença que, entre outros sintomas, apresenta distúrbios do sistema nervoso e fortes e constantes dores de cabeça.

A infecção humana se dá pela ingestão de verduras, hortaliças e de água contaminada com larvas dos parasitos que se encontram no muco que o molusco libera ao se deslocar.

Como medidas preventivas, recomenda-se lavar bem as hortaliças e verduras com água corrente e deixar de molho em solução de água sanitária durante 15 a 30 minutos; ao manipular o caramujo utilizar luvas ou sacos plásticos, e após o manuseio lavar bem as mãos; evitar que crianças brinquem com os caramujos.

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