Cidades

50 anos do hospital: o primeiro médico

* Leandro Fidelis

O próprio Máximo Zandonadi relatou em livro: com a saúde precária dos moradores e poucos recursos para atendê-los, era oportuna a vinda de um médico para a Venda Nova do final dos anos 60. Muito antes de as obras do Hospital Padre Máximo terminarem, um profissional recém-formado aceitou a missão de iniciar um trabalho no então distrito de Conceição do Castelo.

Historicamente, também registrou o saudoso Máximo, a comunidade conseguiu outro médico, através do Estado. Um acordo com o Colégio Salesiano possibilitou atendimento em um consultório improvisado numa sala do prédio. O médico ficou ali apenas dois meses.

Em 1970, pouco depois de se formar em Vitória, chega a Venda Nova Luciano Zappi. Ele começou a atender como clínico geral na antiga Casa das Irmãs que, depois, com o seu incentivo e de padre Cleto Caliman, se transformou no Hospital Padre Máximo.

Depois de uma reunião, “a diretoria concordou em aproveitar a construção do prédio da administração, dividindo-o em compartimentos e salas, para dar começo a um pequeno e já insuficiente hospital, que tanto serviu à comunidade neste longo período”, cita Máximo Zandonadi.

Ele, o assistente e a Kombi

Mais ou menos nessa época, Doutor Luciano precisou de um assistente para o laboratório de análises clínicas e limpeza do prédio. O jovem Valter Pagoto, então com 20 anos, que trabalhava na farmácia de Osíris Piassi, ficou interessado e logo foi contratado.

O ex-auxiliar lembra que a saúde no Distrito era uma “calamidade”, principalmente no que dizia respeito às verminoses. Os tratamentos não tinham a eficácia de hoje. Diante disso, o governo do Estado cedeu uma Kombi com motorista para atendimento em domicílio na região.

“Era uma unidade móvel, longe de ser uma ambulância, mas que foi de grande valia para chegar aonde antes não se imaginava ter atendimento médico”, conta o comerciante Valter Pagoto, que interrompeu a entrevista emocionado ao lembrar do amigo.

Durante seis meses do projeto do governo, Doutor Luciano e seu assistente se depararam com os mais diversos casos. Mulher de resguardo passando mal porque a placenta não tinha saído, criança com tétano e o que se pode chamar de milagre: um menino que teve o dedo colado depois de cortado. “Ele tinha decepado o dedo com um facão e só estava pendurado na pele. Trouxemos o menino para o hospital e aqui Doutor Luciano conseguiu costurá-lo. Ele era um profissional incrível”.

Luciano Federico Zappi morreu aos 70 anos, em 20 de outubro de 2008, em Vitória. Ele sofreu traumatismo craniano grave em um acidente automobilístico no dia 12 daquele mês, em São Mateus, Norte do Estado.

Desde 2001 o médico morava em Mucuri, no Sul da Bahia, e trabalhava no Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, distante 80 km. No dia 12 deste mês, ele saiu à noite de Fiat Uno para cumprir plantão na outra cidade quando bateu de frente com uma moto. O motociclista morreu no local. Luciano foi hospitalizado em estado grave e permaneceu em coma até sua morte. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Padre Emílio, em Venda Nova.

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