O grupo de música italiana Toni Boni, de Venda Nova do Imigrante, está comemorando 18 anos em 2011. Criado em 1993, por ocasião da Festa da Polenta, o Toni Boni tornou-se um importante veículo da cultura do imigrante italiano que colonizou o município ao resgatar as velhas “cançonetas” dos “nonnos”.
O nome Toni Boni pertence a essa mesma cultura, que usa o diminutivo, derivado de Antônio, para nomear, em todas as situações engraçadas, os seus personagens. Por exemplo: Toni, o menino travesso, o rapaz atrapalhado e o adulto engraçado, atirado, extrovertido.
O início contou com os irmãos Romualdo e Félix Falqueto, Toni Brioschi, Vitor Targa, Denis, Silvia e Karla Falqueto e Andrea Hupp. A primeira apresentação foi durante a Festa da Polenta de 93, ainda no pátio da Escola Fioravante Caliman. O repertório constava apenas de músicas folclóricas vênetas, trentinas e lombardas.
“Muitas vezes a gente não tinha muito conforto quando viajava para fazer shows no Estado, mas nos divertíamos bastante. Foi uma época muito boa, tenho saudades. Fazíamos isso por puro prazer, para levar nossa música e nossa alegria para as pessoas”, diz Karla Falqueto, da primeira formação.
De lá para cá, vários músicos passaram pelo Toni Boni, que tem dois CDs gravados: “Il Ballo Dei Nonni- vol.1” e “Il Ballo Dei Nonni- vol.2”. Pessoas que, de uma forma ou outra, ainda tem ligação com o grupo, a exemplo das ex-vocalistas Lenir Altoé e Eliane Gomes, esposa de Renilton Zandonadi, mentor do grupo até hoje.
“Nunca me esqueço das festas do Clube Ítalo-Brasileiro, em Vitória, quando chamávamos o público para dançar”, relembra Lenir.
Atualmente, compõem o Toni Boni: Romualdo (sanfona e voz), os irmãos Luciano e Solange Moreira, Eliana Marotto, Vanessa Filete e Leandro Fidelis (vocais), os irmãos Willian (guitarra e violão) e Edson Masioli (baixo), Dinho Bozzi (bateria) e Willian Lorenzoni (teclados).
Hoje, o repertório não é só o tradicional. O Toni Boni também toca pop italiano como Eros Ramazzotti e Laura Pausini. O grupo é solicitado em várias manifestações culturais italianas dentro e fora do Estado e tem como ponto alto a Festa da Polenta, em outubro, quando faz três apresentações.
Único remanescente da primeira formação do Toni Boni, o sanfoneiro Romualdo destaca a luta para manter o grupo nos últimos 18 anos. “Tivemos muitos motivos para acabar, mas superamos isso. A nossa vantagem é a gama de pessoas que passaram e, de certa forma, contribuíram e cresceram musicalmente. O Toni Boni é realmente uma família.”
Depoimentos dos atuais integrantes
“Não era nem nascido quando o Toni Boni começou. Eu me orgulho de fazer parte desse projeto musical e cultural, que me fez adquirir experiência como músico. Nada mais justo que nós jovens darmos essa contribuição à cultura dos nossos antepassados”, Edson Masioli Júnior, baixista.
“O Toni Boni é uma grande escola para mim. Foi uma porta que se abriu na minha carreira musical. Aos 11 anos, quem me impulsionou para isso foi o Romualdo, quando integrei o Coral Infantil Sol da Manhã. Sempre gostei da música italiana”, Eliana Marotto, vocalista.
“Era um sonho antigo fazer parte do Toni Boni. Acompanhei o grupo desde o início, tamanho o meu amor pela música italiana e pelo trabalho do Romualdo. Nesses 18 anos, sempre namorei o grupo. Em 2011, surgiu a oportunidade de eu entrar e espero contribuir ainda mais”, Leandro Fidelis, vocalista.
“Como se trata de uma banda, é difícil se manter, conseguir ficar esses anos todos. O Toni Boni tem uma base, um alicerce, isso fez o grupo chegar aos 18 anos. Só tenho a agradecer ao grupo, que me proporcionou essa oportunidade. Parabéns Toni Boni”, Luciano Moreira, vocalista.
“Aprendi que o grupo é uma família. Desde o início da minha carreira, aos 11 anos, quando descobri a música italiana, me sinto filha do Romualdo. Fui aprendendo aos poucos e sou completamente apaixonada pelo que faço. Minha vida é Toni Boni, isso é muito gratificante”, Solange Moreira, vocalista.
“Preservar a cultura por meio da música e manter essa tradição é o nosso principal objetivo. Tenho orgulho de conviver com Romualdo Falqueto e Renilton Zandonadi, pessoas pelas quais sempre tive o maior respeito”, Vander Bozzi, o “Dinho”, baterista.
“Minha vida mudou depois que eu entrei no Toni Boni. Desde pequena curto música italiana, adorava ver o grupo cantar. A convite do Romualdo, vim para um ensaio e nunca mais saí. O Toni Boni é minha vida”, Vanessa Filete, vocalista.
”Eu me profissionalizei aqui no Toni Boni. Cresci, aprendi muita coisa com todos. É prazeroso fazer parte disso”, Willian Lorenzoni, o “Vaga-Lume”, tecladista.
“Devo muito ao grupo o meu desenvolvimento pessoal e musical. Antes, não tinha muito conhecimento sobre a cultura italiana, e hoje tenho um respeito bem maior. O Toni Boni é uma família que, como todas, tem tradição. Quem passou pelo grupo, deixou o seu legado para quem estava chegando, e essa tradição ficou revigorada”, Willian Masioli, guitarrista.
"O Toni Boni surgiu da necessidade de se fazer algo pela cultura local. O grupo é um pedaço de mim. Em 18 anos de trabalho e dedicação, me sinto honrado por ter feito algo pela nossa cultura por meio da música. O Toni Boni é um ícone, um pedacinho da Itália nesse cantinho do Brasil", Renilton Zandonadi, que se afastou este ano para se dedicar a outras atividades, mas com promessa de voltar em breve