Cultura

Tradição do Panevin será celebrada em Venda Nova do Imigrante

Herdada dos imigrantes italianos, a tradição do “Panevin” (pão e vinho, na língua vêneta) se mantém viva em Venda Nova do Imigrante. A celebração ocorre na véspera da Epifania do Senhor (visita dos Reis Magos ao Menino Jesus, de acordo com o calendário litúrgico católico) que encerra as comemorações do Natal. O momento é composto por orações, hinos religiosos, superstições e confraternização entre famílias.

Na noite desta sexta-feira (5), o ritual ocorrerá na residência do saudoso Ambrósio Falqueto, em Bananeiras, às 19 horas. A recomendação é que os participantes levem algum petisco e uma bebida para confraternizar após o momento de oração.

Como manda a tradição, na celebração do Panevin é rezado o terço acompanhado de cânticos em língua vêneta e ladainha de Nossa Senhora, em latim. Após as orações, uma fogueira é abençoada e acesa, representando a luz que guiou os Reis Magos até Belém. A tradição diz que o lado para onde a fumaça sopra anuncia se o ano será de fartura ou de escassez e muito trabalho.

Tradição trazida do Vêneto

No norte da Itália, a festa do Panevin era celebrada em todas as vilas, mas com o advento da urbanização, a tradição está, atualmente, restrita a área trevisana, onde é mantida com vigor não só esse costume, mas também uma série complexa de usos e crenças ligados a tal celebração.

Com a vinda para o Brasil, os imigrantes trouxeram, dentre tantos costumes e rituais, a tradição do Panevin assim como era realizado na Província de Treviso, na Região do Vêneto, origem da maior parte dos descendentes de italianos de Venda Nova. A tradição ainda está presente nas memórias dos idosos que viveram sua infância na década de 1920, em Venda Nova. Com o passar das décadas e pelas restrições impostas pelo regime do Estado Novo devido à 2ª Guerra Mundial, bem como o desenvolvimento local com a abertura da BR 262, o Panevim deixou de ser realizado.

Na década de 1980, a tradição ressurgiu com o incentivo de Banjamin Falchetto, padre Cleto Caliman e demais entusiastas da cultura do imigrante italiano e permanece até os dias atuais, envolvendo as novas gerações e novos moradores da cidade.

A celebração inicia-se com a oração do terço, seguida da Ladainha de Nossa Senhora, em latim.
Cada participante leva um alimento e uma bebida para confraternizar.

Abaixo, segue vídeo do “Panevin” realizado no ano 2000. Registro, edição e arquivo: Braz Bozzi.

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