* Leandro Fidelis
(leandro@radiofmz.com.br)
Em vez de um desfile cívico, um cortejo fúnebre parou Venda Nova do Imigrante na manhã desta terça-feira (10), dia em que o município completa 23 anos de emancipação. Centenas de moradores acompanharam o enterro da dona de casa Sônia Aparecida Constantino de Paula, de 37 anos, seu filho Bruno Constantino de Paula, 12, e a irmã de Sônia, Maria Conceição Constantino de Paula Salino, 24, vítimas do acidente do último domingo (8), envolvendo sete pessoas em um Monza e uma carreta Bitrem no trevo do km 103 da BR-262, no centro da cidade.
O local da tragédia contou com um forte policiamento desde às 6h30 para conter qualquer manifestação mais tumultuada, como a do domingo à noite, que resultou na destruição dos dois semáforos, além de placas e pneus. No lugar do vandalismo, o feriado municipal foi marcado por um protesto pacífico de alguns moradores com cartazes e faixas pedindo paz no trânsito e soluções para diminuir os acidentes.
O trânsito no trecho compreendido entre os dois trevos foi desviado para as avenidas laterais à pista. A Polícia Rodoviária Federal- PRF colocou gelo baiano (pré-moldado utilizado para orientar o tráfego de veículos) no lugar onde havia os semáforos. Na parte interditada, os moradores aproveitaram para escrever com giz e pétalas de rosas os nomes de várias vítimas da rodovia que corta o município.
Entre os manifestantes, pessoas que perderam familiares ou foram mutilados em acidentes na BR-262. É o caso do vendedor Luiz Carlos Falcão, 46, que há quatro perdeu a perna esquerda em um acidente em Marechal Floriano, também na Região Serrana.
Estava junto com o meu filho e fomos atingidos por um motorista alcoolizado. Tive sérias complicações no intestino e minha vida nunca mais foi a mesma, disse o vendedor. Ele conta ainda que, na mesma época do desastre, outros dois primos tiveram as pernas decepadas em outro acidente, em Pedra Azul, Domingos Martins, no trecho onde existe hoje um quebra-molas.
Carmelinda Cesconetto Altoé, 83, também aderiu ao movimento. Perdi um filho atropelado dentro do perímetro urbano. A dor é muito grande, disse sem conter o choro.
Cemitério lotado
O enterro das vítimas lotou o Cemitério Municipal Padre Emílio, em Venda Nova. Padre Levi das Neves, pároco local, lamentou o episódio durante a celebração. Fiz a primeira comunhão do Bruno na semana passada e hoje estou aqui celebrando o seu enterro. É uma pena o único ato público do dia do município ter sido fúnebre.
Sônia era casada com o agricultor Batista Veríssimo, que era padastro de Bruno. Com ela, ele teve Wesley, 9, e Natália, 4, que estavam no carro no dia do acidente. Wesley sofreu apenas ferimentos leves, e a menina continua internada em estado grave no Hospital Infantil de Vila Velha.
Expectativa para reunião com Dnit
O prefeito de Venda Nova, Dalton Perim, e o presidente da Câmara de Vereadores, Fernando Altoé, compareceram ao sepultamento das vítimas na manhã desta terça-feira. Na próxima quinta (12), eles estarão com o novo superintendente regional do Dnit/ES, Halpher Luiggi Mônico Rosa, no gabinete do prefeito. O encontro pode gerar resultados que minimizarão os acidentes no perímetro urbano do município.
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