* Edimara Garbelotto
(edimara@radiofmz.com.br)
Há algum tempo o grande número de cães que vagam pelas ruas em Conceição do Castelo vem incomodando os moradores do município. Não é difícil se deparar com um animal, ou um bando, pelas ruas da cidade, onde não existe um abrigo ou qualquer tipo de serviço de recolhimento de animais nas ruas.
Segundo informações do fiscal da Vigilância Sanitária e Ambiental de Conceição, Angélio Freitas, o município não realiza mais o recolhimento de animais de rua desde que o Centro de Zoonoses de Cachoeiro de Itapemirim deixou de receber animais de outros municípios.
“Cada município agora é responsável por seus animais, em Conceição não temos um local apropriado para mantê-los. O trabalho que fazíamos antes era recolhê-los na rua e abrigar separadamente machos e fêmeas por cinco dias, para averiguar se eles possuíam donos. Após esse prazo, levávamos para o Centro de Zoonoses de Cachoeiro. Lá os animais sadios eram encaminhados à adoção, e os doentes passavam por um processo de eutanásia”, explicou o vigilante sanitário.
Ainda de acordo com Freitas, as reclamações do excesso de animais nas ruas não são recentes no seu departamento. Ele disse que desde 2012 a Vigilância Sanitária encaminhou as notificações recebidas ao Ministério Público da cidade, que ainda não deu um parecer sobre o caso.
Enquanto algumas pessoas apenas reclamam da situação, outras se sensibilizam e procuram de alguma forma buscar uma solução, como é o caso da estudante de 18 anos, Rebecca Botelho. A jovem está organizando um abaixo assinado para levar ao poder público do município, pedindo pela castração dos animais de rua, o que preveniria o aumento do número de animais. Ela ressalta que essa ideia funciona a curto prazo, mas buscará apoio para a construção de um abrigo na cidade.
“O abaixo assinado é para mostrar ao prefeito, que não é somente eu que estou a favor da castração, mas também toda a população, pois será um benefício tanto para os cães quanto para nós. A população de toda a região precisa se conscientizar de que animais também sentem fome, frio e abandono”, declarou a estudante.
Além da iniciativa pela castração dos animais, Rebecca também faz campanha nas redes sociais pela adoção dos cães que recolhe na rua e leva para sua casa. Hoje ela possui seis cachorros em sua residência, sendo que três deles não são seus, eles foram recolhidos na cidade e ela procura por quem queira adotá-los.
A estudante acabou encontrando ajuda para sua causa em uma comunidade na rede social “facebook”. A comunidade “Adotar é tudo de Bom” foi criada por uma moradora de Venda Nova do Imigrante, Amábile Botacim Zardo Falquetto, que também notou nesse outro município o descaso pelos animais.
“Amábile me ajudou até a custear a radiografia de um cachorrinho que peguei recentemente da rua, ele estava com a perna quebrada. Agora estou procurando alguém que possa adotá-lo e comecei a divulgar fotos dele em campanha na comunidade criada por ela”, contou Rebecca.
A comunidade possui atualmente 350 membros que buscam um lar para os animais que vivem na rua. Amábile disse que criou a página com o intuito de que as pessoas possam adotar animais ao invés de comprar, uma vez que tantos são abandonados, além de poder ajudar a encontrar animais que fogem da casa de seus donos. “Não suporto a ideia de ver o abandono e o maltrato a animais, além disso, eu tenho uma cachorrinha que vivia fugindo e eu vi nesse grupo uma maneira mais fácil de encontrá-la e ajudar a outros animais”, afirmou.

