
"Amanheceu chuviscando e continuou o dia e a noite. No entardecer, embora frio, deu trovoadas. Às 19h30, reunião da comunidade com três membros da Coplan, que fizeram o levantamento para o mapeamento das necessidades do recém-fundado município de Venda Nova do Imigrante. A comunidade falou sobre as necessidades mais urgentes na saúde, trânsito, segurança, educação, lazer, esgoto e saneamento".
O trecho acima foi escrito em 3 de novembro de 1988, em um dos diários de Máximo Zandonadi, que completa seu centenário de nascimento em outubro deste ano. Mais do que um livro com apontamentos pessoais, os diários de Máximo são documentos históricos mantidos com capricho pela família do escritor e fomentador de importantes conquistas culturais, políticas e econômicas para Venda Nova. As agendas cobrem o período entre 1979 a 1994, ano da morte de Máximo, e registram momentos importantes para Venda Nova do Imigrante e para o país. É possível, na agenda de 1988, conhecer, pelos olhos de escritor, o processo de emancipação política de Venda Nova. Foi naquele ano o plebiscito que perguntou à população da cidade se queria tornar-se independente da então sede, Conceição do Castelo.
"Ele vivia a história do dia a dia e procurava entender os fatos que, na visão dele, eram os mais importantes para que a comunidade de Venda Nova pudesse evoluir. Meu pai anotava os fatos que tinham relevância não para a vida pessoal dele, mas que pudessem ajudar a comunidade a manter e renovar seus valores. É um documento histórico, que retrata a realidade de Venda Nova naquele período", relata o bispo emérito de Colatina e filho de Máximo Zandonadi, Dom Décio Sossai Zandonadi.

Os fatos que marcaram o país também não escapavam da observação de Máximo. Ele destacou, em 1988, a Assembleia Nacional Constituinte. Instalada no Congresso Nacional, em Brasília, a 1º de fevereiro de 1987, ela tinha a finalidade de elaborar uma Constituição democrática para o Brasil, após 21 anos sob regime militar. Os trabalhos da Constituinte foram encerrados em 22 de setembro de 1988, após a votação e aprovação do texto final da nova Constituição brasileira.
O olhar de Máximo, sempre voltado para a comunidade deixou um legado importante para Venda Nova. Por meio da Fundação Máximo Zandonadi (FMZ), projetos que beneficiam toda os moradores da cidade tomaram forma, caso da Banda Sinfônica de Venda Nova do Imigrante, que hoje atende 80 crianças com idade entre 5 e 10 anos e outros 60 jovens e adultos. Há ainda o Centro Cultural e Turístico Máximo Zandonadi, pensado, projetado e captado pela fundação. A Rádio FMZ é o braço informativo do grupo. A emissora educativa alcança sete municípios, primando por uma programação que auxilie no crescimento das cidades.
Abaixo, resgatamos alguns escritos de Máximo Zandonadi. Os registros são de 1988 e mostram a importante transformação política pela qual passou Venda Nova.
Texto e gráfico: Fernanda Zandonadi
Arte da tarja: Diogo Guimarães