Cidades

Padre renuncia em Afonso Cláudio após denúncias de assédio sexual

Após denúncias de que estaria assediando fiéis sexualmente, o padre Francisco de Melo Cassaro, da Paróquia São Sebastião, em Afonso Cláudio, na Região Serrana do Estado, pediu nessa terça-feira (23) renúncia do cargo.

 

Padre Cassaro apresentou o pedido diretamente ao arcebispo de Vitória, dom Luiz Mancilha Vilela, que foi ontem a Afonso Cláudio para apurar o caso. "A gente olha muito a pessoa humana e deve ouvir sempre dois lados da questão", disse dom Luiz. Ele fez questão de afirmar que não foi à cidade "como um tribunal para condenar o padre".

 

Padre Francisco atuava na paróquia, com 52 comunidades, havia três anos. E segundo fiéis que procuraram pessoalmente o arcebispo, em setembro deste ano ele mantinha um comportamento não condizente com sua função.

 

Informações que circulam na cidade davam conta de que, tão logo chegou ao município, o sacerdote assediou uma garota de 16 anos, enviando a ela mensagens via celular.

 

Também mulheres adultas – solteiras, noivas e até casadas – teriam sofrido a mesma ação, uma delas após um jantar em homenagem ao religioso, quando o levava em seu carro para a casa paroquial.

 

Um dos fatos considerados graves pela comunidade seria o de que o sacerdote teria levado uma mulher para dormir na casa paroquial. Por ter presenciado a cena, uma empregada que trabalhava no local havia 20 anos teria sido demitida.

 

Alguns dos denunciantes criticam o fato de dirigentes da Igreja, embora informados sobre os fatos em 11 de setembro, só terem ido à cidade ontem, quando tudo veio a público num programa de rádio local.

 

"Numa jogada política, o padre deu o nome do arcebispo ao auditório paroquial", diz um texto com parte das denúncias, recebido ontem por A Gazeta.

 

O texto informa, ainda, que o sacerdote teria "um padrão de vida elevadíssimo, com uso de roupas de grife, perfumes e relógios importados", além de ter "cavalos e mulas de raça". E que cobraria casamento de quem não pode pagar. Procurado ontem, o padre não deu entrevista.

 

"Quem o chama de culpado tem que provar"

 

"Quem acusa tem a liberdade de procurar a Justiça. Não nos cabe condenar. Deus vai ser o juiz", diz o arcebispo de Vitória, dom Luiz Mancilha Vilela, ao explicar que o padre Cassaro pediu renúncia "preocupado com o rebanho, por causa das calúnias".

 

Dom Mancilha fez questão de dizer que "o povo gosta muito do padre", mas que as denúncias "criaram um ambiente desagradável, de desconfiança".

 

Segundo o arcebispo, o padre, por enquanto, vai tirar férias e descansar. "Quem o chama de culpado tem que provar. A Igreja não deixa de enfrentar o problema", garantiu, afirmando que ela não terá a "irresponsabilidade" de deslocar o padre para outro lugar.

 

"Vamos devagar no nosso trabalho. Ele não está livre de nada", disse, diante da pergunta se o caso será levado ao Tribunal Eclesiástico. (* Fonte: Gazeta Online Sul).

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