Cidades

Padres celebram os 50 anos de vida sacerdotal em missa em Venda Nova do Imigrante

No próximo domingo (17), três sacerdotes, dois deles nascidos em Venda Nova do Imigrante, celebram 50 anos de ordenação presbiterial. Os padres Cleto Caliman, Ilário Zandonadi e Geraldo Gonçalves Magalhães participarão de missa de ação de graças, às 9h, na Igreja Matriz São Pedro Apóstolo. Participarão da missa todos os padres da paróquia, padre Luiz José Vidal, que é pároco, padre Ivo, padre Paulo e padre Dídimo. 

 

"Os padres Cleto e Ilário são da terra, nasceram em Venda Nova, e o padre Geraldo foi pároco na cidade entre 1999 e 2000. Eles são muito queridos e contribuíram muito com a cidade. No domingo, vamos celebrar os 50 anos de ordenação dos três. Será uma bela cerimômina para comemorar a caminhada deles", conta Pe. Vidal. 

 

Padre Cleto Caliman

Padre Cleto Caliman

 

"Nasci em Venda Nova do Imigrante em janeiro de 1939, de família de descendentes de italianos, mais precisamente de vênetos, que migraram no século 19, 1883, e acabaram se estabelecendo no Espírito Santo. Quando vieram da Itália, esses migrantes já conheciam Dom Bosco e muitos deles eram então cooperadores salesianos, como os pais do Pe. Cleto Caliman I, os pais de Dom Décio, meus pais e muitos outros. Uma coisa interessante é que o Pe. Olívio Giordano, do Colégio de Jaciguá, vinha todos os anos para fazer a festa de São João Bosco. Num ano fez o casamento de meus pais. Noutro ano me batizaram. Quando a nossa Escola Singular de Lavrinhas já não tinha mais a oferecer, meu pai me levou para Jaciguá onde termineu o então curso primário. Fiz em Jaciguá o 1º. e 2º. Ano de Ginásio, e minha turma foi transferida para são João del Rei onde terminei o ginásio e fiz o então 2º. Grau.

 

Em 1956 fiz o noviciado em Barbacena. Em 1957 5 1968 fiz o 1º. e o 2º. ano de filosofia na Faculdade de filosofia Dom Bosco, também em São João del Rei. O inspetor daquela época precisou de professores para o Aspirantado de Jaciguá. Lá fui para lá como assistente e professor em 1959 e 1960. No ano seguinte, 1961 o inspetor me mandou para o então patronato de Santa Bárbara, MG. Completei o curso de filosofia em 1962. Nos 4 anos seguintes fui fazer o curso de teologia no Pio XI, São Paulo. A ordenação de nosso grupo foi no dia 31 de julho de 1966, na igreja do Bom Retiro, São Paulo. Completado o curso de teologia, fui destinado pelo inspetor (Pe. Décio Teixeira) para continuar os estudos no então Ateneu Salesiano em Roma, onde fui diplomado com o mestrado em teologia. Lá passei um pouco mais de um ano e meio. Fui então me especializar na Alemanhã, na universidade de Muester. Tive que interromper meus estudos por lá por motivo de saúde. Voltei em março de 1970 direto para Belo Horizonte. Os estudos que iniciei na Alemanha em 1968e 1969 foram coroados depois de 30 anos como o trabalho de doutorado na Faculdade de Teologia dos Jesuítas de Belo Horizonte (FAJE) sob a orientação de um grande amigo, o jesuíta Pe. João Batista Libânio.

 

Nesses anos todos a maior parte passei aqui em Belo Horizonte. Em 1971 comecei a lecionar teologia no Instituto Central de Filosofia e Teologia da Universidade Católica de Minas Gerais e, ao mesmo tempo, responsável pela formação dos nossos estudantes de teologia. Em 1987 meu trabalho na PUCminas foi interrompido e me transferi para Brasília como assessor da CNBB, no Instituto Nacional de Pastoral (INP). Fiquei lá cerca de 6 anos. Em 1993 voltei para Belo Horizonte onde estou até hoje, sempre na comunidade de formação dos estudantes de teologia da Inspetoria e na docência de Teologia no Instituto Santo Tomás de Aquino (ISTA). Faz parte dessa caminhada a experiência pastoral na periferia de Belo Horizonte, sobretudo na paróquia Cristo Luz dos Povos (Cabana do Pai Tomás). Aí aprendi a nunca separar a teologia da prática pastoral. Essa aproximação alimentou também muitos de meus escritos, que na sua maioria tem interesse pastoral.

 

Nesses anos todos tive a feliz oportunidade de conhecer melhor a vida salesiana e a Igreja no Brasil em assessorias, cursos, palestras e tantas outras atividades. Fui também, durante cerca de 15 anos da Equipe de Reflexão Teológica da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). Em 1990 fui delegado da Inspetoria ao Capítulo Geral, uma excelente experiência da Congregação.

 

Essa pergunta sobre o momento mais marcante desses 50 anos não é fácil responder. Tive muitos. Mas o que mais marca a gente são os encontros com algumas pessoas que abrem caminho. Vou enumerar algumas: na congregação o encontro com o Pe. Viganó e o Pe. Vecchi. Me ajudaram muito para me orientar como formador. Ainda na Congregação a convivência com tantos formandos e membros da equipe de formação. Para não deixar de fora muitos, quero ressaltar o Pe. Wolfgang Gruen. Ele foi sempre um mestre de sabedoria e de vida. Na Igreja no Brasil o encontro com alguns bispos que iluminam o caminho da Igreja como Dom Helder Câmara, Dom Luciano Mendes de Almeida entre tantos outros. Na meu magistério teológico ressalto a vizinhança edificante com o Pe. Alberto Antoniazzi, do clero de Belo Horizonte e por muitos anos um dos principais assessores da CNBB, com qual trabalhei por mais de 30 anos em sintonia. Foram tantos esses encontros felizes que é difícil escolher um em particular."

 

 

Padre Ilário Zandonadi

"Em 1948, sai de Venda Nova e fui para Jaciguá, junto com o Cletinho (Pe. Cleto Caliman), com quem estudei junto desde a escola primária, em Lavrinhas. Até nossa ordenação estivemos juntos. Depois de Jaciguá, fomos para São João del-Rei (MG), depois fizemos o noviciado em Barbacena. A faculdade e a assistência, fiz em Barbacena e Silvânia. Já a Teologia, fiz em São Paulo, no Instituto Teológico Piu XI, em 1962. Em 31 de julho de 1966, me ordenei na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, em Bom Retiro (SP). Voltei, então, para São João del-Rei, como professor e bibliotecário. Durante o dia trabalhava, normalmente, em vários serviços na biblioteca e, à noite, lecionava. Nos finais de semana, ajudávamos as paróquias. Trabalhei também no Conselho Federal de Educação, em Brasília, e na Nunciatura Apostólica. Quando me aposentei, fiquei em São João del-Rei e também atuei como secretário inspetorial em Belo Horizonte, onde continuo até hoje.

Quando completamos 50 anos de sacerdócio, já sentimos um pouco o peso da idade. Mas continuamos na mesma atividade, trabalhando e contribuindo com as paróquias nos finais de semana. Continuamos, mesmo aposentados, no ministério".

 

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